segunda-feira, março 1

Mais um jovem morto em Itinga


Confesso que perdi a conta. Desde o início do ano vinhamos acompanhando o número de homicídios em Lauro de Freitas. Até a data de ontem estávamos no número 22, mas outras fontes já apontam números diferentes.

Nesta segunda feira às 22 horas, um jovem de aproximadamente 18 anos foi morto em Itinga, na ladeira do Fazendão. Três homens encapuzados deflagraram sete tíros na cabeça da vítima conhecida como Gaspar.

Gaspar trabalhava num lava jato próximo ao local do crime. Testemunhas dizem que outros jovens que estavam junto a Gaspar num barzinho, também seriam vitimadas, mas um dos assassinos gritou "é só ele".

Gaspar foi levados para o Hospital Jorge Novis, mas não resistiu. Esta na pedra onde ficam os mortos neste hospital.

terça-feira, fevereiro 23

Revide, Confronto e Racismo: Mantém-se a política de Segurança Pública na Bahia.


A morte de quatorze jovens em Vitória da Conquista/Bahia e o desaparecimento de mais de cinco outros, segundo informações de integrantes e amigos de moradores da comunidade pobre e negra daquela cidade, não é um fato isolado. Faz parte de uma engrenagem maior que nós da Campanha Reaja vimos denunciando há cinco anos. Para além da conjuntura política e do governo que ocupe o gabinete do Palácio de Ondina, independente do ano eleitoral e de arranjos político-partidários.

Liguemos os fatos! Eles que determinam o atual massacre operado por policiais militares a tantos outros anteriormente denunciados e sem qualquer reposta das autoridades locais.

A impressão que temos nestes últimos três anos é que a polícia baiana está blindada por uma licença generalizada de matar negras e negros, sem qualquer controle.

Se não vejamos.

No dia 01 de março de 2007, três homens, a bordo de um carro preto, integrantes de um grupo de extermínio formado por policiais, assassinou com 09 tiros o jovem Clodoaldo Souza de 22 anos de idade, o “Negro Blul”.


Membros do Governo, Ministério Público, Defensoria Pública e Secretaria de Segurança Pública receberam as denúncias do caso e, até hoje, nenhuma resposta. Silêncio.
No mesmo ano, uma guarnição policial atirou contra o jovem aspirante da Marinha Edivandro Pereira, matando-o. A líder do MSTB, Aurina Rodrigues Santana , foi barbaramente assassinada junto ao marido e ao filho, Paulo Rodrigo Rodrigues e Robson da Silva Rodrigues por policiais que revidaram à sua atitude de denúncia frente aos constantes abusos e brutalidades à sua comunidade, em 14 de agosto de 2007 .


Nove jovens foram abatidos pelas costas, alguns dormindo e todos já rendidos por duas guarnições da RONDESP na comunidade de Fazenda Coutos. Eles tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Justificativa padrão em todos os casos Mais de 2.400 pessoas foram mortas só em Salvador e região metropolitana.


60% vítimas de confronto com agentes policiais.... No que se institucionalizou o auto de resistência ou resistência seguida de morte, onde milhares de jovens negros tombaram ou desapareceram.


A morte destes jovens em 2008 inaugura a era Cezar Nunes, com sua política de seqüestro, de tortura e execução sumária.... do terror policial via estações de TV. Através da Criminalização e isolamento, organizações de do Movimento Social não cooptadas por recursos do governo para pesquisas e Seminários, Relatórios e encontros chapa branca como a Conseg – Conferência de Segurança Pública.


RONDESP, CAATINGA, COE ou quaisquer outras guarnições policiais são temidas nas comunidades negras na Bahia. Violam direitos civis, torturam, matam sem qualquer controle. Está instalado o Estado de Exceção. Com o mesmo método que arrasou dezenas de vidas e famílias em Vitória da Conquista.

Em 2009, depois da morte de um policial na comunidade de Cana Brava, mais de duzentos policiais, sob ordens expressas do Secretário de Segurança Pública Cezar Nunes, invadem a casa de cinco jovens. Retiraram-lhes dos braços de suas mães e os executaram com requintes de crueldade. Posteriormente tais atos foram celebrados por policiais e governo. Laudos periciais foram fabricados para justificar o injustificável.

Iniciando 2010, o Ministério Público e o Governo assinam, enfim, a crueldade dos métodos da polícia em sua segurança racista e fascista.
Estamos atentos para não serem desviados os reais motivos desta matança. Tememos pela vida de mães e testemunhas. Estamos operando sem vapor ou alarde. Apelamos para nossos aliados em níveis nacionais e internacionais para que exijam junto a nós:

Exumação dos corpos dos jovens de Cana Brava e uma nova perícia;

Reabertura do caso Aurina Rodrigues , líder do MSTB;

Justiça frente ao massacre de Vitória da Conquista ;

Apelamos para que o Governador Jaques Wagner demita o atual Secretário de Segurança, toda sua cúpula que serviu por anos aos Carlistas e todos seus Capangas e chame uma conversa aberta com a sociedade. Isto, se quiser guiar-se por uma lógica de Segurança Publica responsável realmente democrática baseada em Direitos Humanos e não Racista;
Imediata demissão do Secretário de Segurança Pública e da Cúpula da Polícia Militar
Reaja

sábado, fevereiro 13

Cultura Agonizante


Não tem graça, o espetáculo da morte em cartaz na 4ª cidade mais violenta do país. É aqui, nas terras de Ipitanga, Lauro de Freitas, que se assiste o infeliz acréscimo do número de homicídios que ceifam principalmente a vida de jovens negros.



O consumo de drogas e entorpecentes em alta, não encontra resistência para agregar novos figurantes, pois a cultura local, uma das principais bases do desenvolvimento social e sustentável deste município está agonizando.



É neste cenário vermelho que vemos o investimento em repressão policial superar o orçamento da cultura. O que se gasta no helicóptero da polícia, que leva pânico e aterroriza as comunidades pobres, daria pra produzir grandes festivais de cultura em toda cidade.



Os recursos do PRONASCI que já serviu para comprar viaturas e equipar a guarda municipal parecem desconhecer o potencial cultural que essa cidade guarda em suas entranhas. Nossa cultura agoniza, está à beira da morte. O pó, que deveria ser usado nos camarins para enfeitar a face dos artistas, adentra as narinas da juventude no inspirar da morte. O pano branco que deveria servir como cortina que se abre para o grande espetáculo da vida, cobre os corpos ensangüentados, furados de bala, jogados no chão de Santo Amaro.



A música, só é ouvida nas missas e cultos religiosos. O microfone que só se ver nas mãos das Margaretes, Danielas e Alciones não chega aos anônimos artistas locais que o substituem por PTs automáticas e trinta e oito.



A cidade cresce pro céu dando espaço a famigerada guerra pelo voto da “Minha Casa, minha Dilma”. As construções podem ser vistas por todos os cantos. Um oceano de concreto e ferro domina a paisagem, enquanto do teto do teatro, localizado na Praça Matriz, vemos os pingos da chuva, que caem como lágrimas chorando a dor da morte.



Vemos o corpo de quem dança se contorcer nas filas de emprego, pois não há orçamento para manter o artista de arte. Vemos a tinta do lápis de olho ser substituída pelo rejunte que tirou a visão do B Boy Valney há duas semanas. Vemos ainda o artista ser substituindo em sala de aula pelo PM bem intencionado. Coisas do PRONASCI que até hoje não apresentou a sociedade a prestação de contas. Onde foi usado esse recurso, afinal de contas?



Nesta cidade se assiste de camarote uma atividade cultural ser cancela por técnicos do governo, porque a ouvidoria municipal comandada por um pastor evangélico, entendeu que atividade cultural atrapalhava o culto dominical.



Essa é a cidade que brinca de cultura. Os personagens culturais são fictícios, as estruturas são cenários removíveis feito de sobra de material. As produções e ações culturais são meras encenações e os recursos são elementos de um show de ilusionismo.



Até as ações políticas tem ares circenses. Imaginem senhoras e senhores que o conselho de cultura é presidido, depois de um golpe institucional, pelo artista-coronel mór.



Em fim, eu, mero espectador escrevo do computador de uma associação cultural, mas fico por aqui, pois a luz está cortada e o “gato de energia” que vem da vizinha já vai ser desligado.



Ricardo Andrade
Produtor cultural

terça-feira, janeiro 19

O Levante Malê


A chamada Revolta dos Malês (também conhecida como revolta dos escravos de Alá) registrou-se de 25 a 27 de Janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil.

Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano.
Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.

O plano de ação dos malês


Planejada por elementos que possuíam experiência anterior de combate, na África, de maneira geral, os malês propunham o fim do catolicismo - religião que lhes era imposta -, o assassinato e confisco dos bens de todos os brancos e mulatos e a implantação de uma monarquia islâmica, com a escravidão dos não muçulmanos (brancos, mulatos e negros). De acordo com o plano de ataque, assinado por um escravo de nome Mala Abubaker, os revoltosos sairiam da Vitória (atual bairro da Barra, em Salvador) "tomando a terra e matando toda a gente branca". De lá rumariam para a Água de Meninos e, depois, para Itapagipe, onde se reuniriam ao restante das forças. O passo seguinte seria a invasão dos engenhos do Recôncavo e a libertação dos escravos.

A repressão pelas autoridades e o fim da revolta

Ao mesmo tempo, as autoridades também se organizaram com rapidez, conseguindo repelir os ataques aos quartéis de Salvador, colocando em fuga os revoltosos. Ao procurar sair da cidade, um grupo de mais de quinhentos revoltosos, entre escravos e libertos, foi barrado na vizinhança do Quartel de Cavalaria em Água de Meninos, onde se deram os combates decisivos, vencidos pelas forças oficiais, mais numerosas e bem armadas.

No confronto morreram sete integrantes das tropas oficiais e setenta do lado dos revoltosos. Duzentos e oitenta e um, entre escravos e libertos, foram detidos no Forte do Mar e levados aos tribunais. Suas condenações variaram entre a pena de morte para quatro dos principais líderes, os trabalhos forçados, o degredo e os açoites.
Entre os pertences dos líderes foram encontrados livros em árabe e orações muçulmanas.

À época, os africanos foram proibidos de circular à noite pelas ruas da capital e de praticar as suas cerimônias religiosas típicas.
Apesar de rapidamente controlada, a Revolta dos Malês serviu para demonstrar às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime escravocrata, ameaça que esteve sempre presente durante todo o Período Regencial e se estendeu pelo Governo pessoal de D. Pedro II.

domingo, dezembro 20

Lauro de Freiras, O estado submetido a "fé" (1)

O que era pra ser configurado apenas como um caso de cancelamento de um evento juvenil, justificado pela falta de autorização do poder público, se transformou num alarmante e preocupante episódio de tráfico de influencia e peculato.

A fato ocorreu na tarde de domingo, 20 de dezembro, quando jovens de uma academia de musculação que funciona no Shopping Litoral Norte, produziam uma atividade de confraternização no estacionamento do shopping. O espaço havia sido liberado pela coordenação do shopping.

No mesmo estacionamento funciona uma seita evangélica intitulada “Nova Esperança”. O pastor da seita, ao perceber a movimentação dos jovens e a montagem da estrutura do evento, logo se posicionou contra e disse em alto e bom tom que o vento não aconteceria.

Após algumas horas, técnicos da prefeitura municipal, acompanhados de uma viatura da Polícia Militar compareceram ao local do evento e deram a ordem para que som fosse desligado e atividade cancelada. Alguns ingressos já haviam sido vendidos e um público de 40 pessoas aguardavam para entrar no espaço onde aconteceria a atividade.

Com justificativas vazias e sem amparo legal da lei, os servidores insistiam para que a produção do evento desligasse o som. Um deles chegou a dizer que a própria prefeita Moema Gramacho, teria ligado pro seu celular ordenando o fim da atividade.
Os técnicos da Secretaria de Serviços Públicos alegavam que os organizadores do evento não tinham autorização da SEPLANTUR pra realização do evento. Mas segundo advogados, o espaço privado do shopping dispensa tal autorização.

Ao presenciar todo acontecimento, constatamos que houve um perigoso tráfico de influencia envolvendo legisladores e funcionários públicos do auto escalão do município. Fatos curiosos e que carecem de atenção puderam ser observados nesse episódio:

- uma viatura da PM, um instrumento disputadíssimo na 4ª cidade mais violenta dos país, foi providenciada em poucos minutos, e ficou por mais de uma hora parada no local até que o som fosse desligado.

- técnicos da SESP foram encaminhados rapidamente ao local, em pleno domingo à tarde, no dia em que a cidade recebe a visita do governador do estado. Uma eficiência difícil de ver na administração pública. Vele ressaltar que em casos parecidos a visitas desses técnicos chega a demorar mais de 15 dias.

- se verdadeira a informação de um dos técnicos, que afirma que a Prefeita teria ligado pro seu celular ordenando o imediato fim do evento, fica caracterizado que houve um perigoso tráfico de influencia que coloca em risco a democracia.

Segundo informações de dentro do próprio governo, o pastor da seita evangélica teria acionado um vereador, também evangélico, que tratou de utilizar a estrutura pública para garantir o interesse do pastor que também fora seu “cabo eleitoral” e pelo que parece, contou com a participação do auto-escalão do governo municipal.

Ao ser questionada por nossa redação sobre a ação de seus técnicos, a Secretária Vânia Almeida SESP, entrou em contradição, desligou o celular e em seguida negou-se sucessivas vezes a atendê-lo.

Se comprovado o tráfico de influencia nesse episódio, Lauro de Freitas precisa urgentemente de uma intervenção do Ministério Público para que se apure as denúncias e puna os responsáveis, para garantir que as estruturas públicas estejam a disposição do conjunto da sociedade e não de um grupinho de pequenos poderosos que se acostumaram fartar-se das guloseimas do poder.

Ricardo Andrade
Editor