domingo, setembro 19
Trocamos seis por meia dúzia: E ainda contamos corpos
Tenho registrado os avanços da política de segurança pública em meu Estado. De tão cruel ela chega a parecer um mostro invisível que todos sentem a presença e todos temem o toque fatal.
É assim, quando tudo fracassa em termos de um Estado Democrático de Direito entra o Direito Penal com seu Fuzil apontando para a cidade. (Emanuel 2010). Deveria, segundo a melhor regra chegar educação, saneamento, lazer, mas eu garanto, o que tem chegado em nossas comunidades é o poder punitivo do Estado, com a morte.
Ontem a Comunidade do Engenho Velho de Brotas parou o trânsito na Avenida Vasco da Gama. Tocaram fogo em tudo para chamar a atenção da situação em que vivemos de violência extremada que parte da polícia do Estado da Bahia.
Em tempos de eleições nos calamos, acreditamos na tática eleitoral de fingir-se de morto para “não dar bala ao inimigo”. No caso específico aqui o inimigo é o DEM , o Democratas, partido do Carlismo e de uma Bahia antiga que combatemos.
O problema é que ninguém explicou isso direitinho nas comunidades segregadas em que vivemos, onde a polícia mata em cima de simples suspeitas, onde somos controlados por conta da cor da pele, da ginga ancestral e insurgente que carregamos, como a memória de Zeferina. Ela que por menos disso queimava fazendas e fardas da brigada militar que é a mesma simbologia e modus operandi da RONDESP que matou esse garoto em questão, aqui onde eu moro. Criaram a Policia Militar do Estado da Bahia para combater Zeferina em Pirajá, de lá pra cá eles não param mais. Nem com o advento de uma Nova Bahia
Parece que ouço as gargalhadas do Secretário de Segurança Publica Cezar Nunes, o xerife da Bahia, responsável direto pela matança em curso. Parece que ouço o silêncio avassalador de autoridades negras que podiam dizer algo pela vida, da turma dos Direitos Humanos silenciadas por cargos públicos e recursos para OCPS e ONGs que podiam forçar nas reuniões com Jaques Wagner ou Pinheiro e Lídice da Mata a idéia de uma outra política de segurança pública não-racista como essa que combatemos desde 2006. Ao menos Republicana como o Governador gosta de bradar , nesse caso que colocasse um Estado Penal mínimo, garantista, democrático como reza a norma constitucional, com o mínimo de princípios que tutelassem os direitos fundamentais, como queriam a turma constituinte originaria.
Mas não! Todos colocam seus adesivos de uma chapa branca (no sentido racial mesmo) e fazem sua caminhada por uma nova Bahia.
Uma nova Bahia de cadáveres pretos, uma nova Bahia em que as comunidades segregadas pela fome, pelo lixo, pelo álcool e pelas drogas se vêem ocupadas militarmente por uma polícia que mata.
Não, não faço aqui apologia a velha Bahia. De fato trocamos seis por meia dúzia e ainda levamos milhões de defuntos como saldo.
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Tenho que ir levantar fundos para tirar um parceiro das grades, antes que o matem ou ele apodreça.
Hamilton Borges
Da Bahia/Salvador
sábado, agosto 14
quinta-feira, julho 29
quinta-feira, junho 24
O DNA negro do estatuto da igualdade

O senador Demóstenes e o DEM entram apenas com 23 cromossomos para a formação desse ser (estatuto). Mas a cria é racializada e todos nós sabemos. Precisamos agora, identificar quem concedeu os 23 cromossomos negros.
Nossa intenção aqui está para além de apontar culpados, mas é preciso responsabilizar as organizações negras que coabitaram com os democratas sem preservativo e geraram esse ser indesejado. É preciso assumir essa “criança” agora. Não dá pra fugir, pois estatuto tem vida e o DNA dos pais está lá, e levará a herança dos seus genitores para as gerações futuras.
Cabe agora, tão somente, que as entidades negras se submetam a exames de DNA para que seja identificado o conjugue responsável, e o mesmo assuma a paternidade do estatuto. Vale dizer aqui que o Movimento Negro Unificado não aceitou esse namoro com DEM e ainda na época da paquera disse NÃO. Lembro que nossa Coordenadora Geral, Vanda Pinedo, se retirou da mesa de negociação quando o DEM jogava seu charme e seduzia as demais organizações negras. Mas como já disse, o bebê nasceu e não dá pra negar. Agora é assumir.
Sabemos também, que partindo de uma visão biológica não dá mais pra abortar esse filho, mas, cabe ainda, talvez, apelar para a corte que oficializou esse enlaço matrimonial. O presidente da república, “aliado inconteste dos negros partidarizados” não se pronunciou ainda, nem mesmo a candidata Dilma deu parecer a respeito.
Caso a criança seja vetada, cabe congelar o estatuto e expô-lo em formol nas galerias do senado e da câmara, para que as gerações futuras percebam que relações com brancos geram anomalias que podem prejudicar e eliminar gerações inteiras.
Ricardo Andrade
Movimento Negro Unificado
Campanha Reaja
Movimento Hip Hop – Posse PCE
terça-feira, junho 15
A teoria da conspiração da violencia

Ricardo Andrade
Campanha Reaja
Movimento Negro Unificado
Posse PCE – Hip Hop
quinta-feira, junho 3
Aos negros e negras petistas baianos

Posse PCE - Movimento Hip Hop
Articulador da Campanha Reaja
Movimento Negro Unificado
terça-feira, junho 1
Garoto de sete anos é baleado em Itinga

Não é muito de nosso perfil esse tipo de matéria, isso abaixa a auto-estima de nossa comunidade, mas não dá pra ficar em silencio vendo o circo pegar fogo. Este loteamento precisa de uma intervenção do poder público, precisa ser olhado com carinho pelas autoridades e quando dizemos isso, não significa mandar a Rondesp e seus similares da morte munidos dos novos fuzis que Wagner comprou.
Este loteamento não tem se quer uma quadra de esporte. Não tem campo de futebol, alaga quando chove, quando não chove falta água todo dia. A polícia quando entra aqui é sempre pra aterrorizar as pessoas e dá aquele famoso tapa na cara dos pais de família e chamando-os de vagabundo. Os programas “de mentira” do Pronasci não chegaram aqui e é até bom que não venha, fique por lá mesmo, chega de lorota por aqui.
O movimento hip hop, a Campanha Reaja e o Movimento Negro Unificado vão acionar a Denfesoria e o Ministério Público no sentido de forçar o governo local a construir uma área de lazer nesta comunidade. Existem terrenos ociosos que servem para diversas práticas ilícitas e que podem ser adquiridos e repassados à comunidade como espaço de entretenimento.
