domingo, dezembro 5

Luto na Master Glasses

Morreu nessa madrugada o empresário Carlos Souza, proprietário da Master Glasses num grave acidente de carro. Além do empresário, uma das sócias, Claudia Cazaes e o motorista, também foram a óbito.

sábado, novembro 6

Comunicação, arte, cultura e beleza negra em Lauro de Freitas



Apesar das dificuldades, a atividade realizada pela Posse PCE e o CMA Hip Hop foi um grande sucesso. A realização das oficinas de Break, cultura negra, grafite, fotografia e filmagem atenderam cerca de 100 crianças e adolescentes que tiveram seus laços estreitados com a identidade negra.

Tudo aconteceu no Espaço Cultural Big Brother, sede da organização PCE e contou com a presença de gente importante como o grafiteiro Lee 27, B boy Ananias, B Gils Tina, Mara Azantewa, a turma do grupo Equlíbrio que saiu de Areia Branca pra dá um shouw de performance corporal. Quem marcou presença também foi a atriz Maíra Gothichald, que é moradora do Loteamento Jardim Metrópole.

Os alunos da escola Municipal de Vida Nova orientados pelo professor Tom deram uma aula de participação e comportamento. Se identificaram com a proposta do projeto.
A parceria com a Omim Dudu culminou no espetáculo negro que emocionou as mães que viram suas filhas externalizando a plenitude da beleza negra.
Veja as fotos.
Para ver mais fotos, acesse o orkut da Posse Pce

terça-feira, novembro 2

Consciência Negra



A consciência é uma qualidade da mente, um estado de conhecimento, é a capacidade de um indivíduo, de perceber a relação entre si e um ambiente, espaço ou meio. Ter consciência é apresentar a capacidade de identificar os elementos e as influencias que estes exercem sobre nós em nosso cotidiano.

A consciência da qual tratamos nesse momento, apresenta-se como resultado do acúmulo de informações e conteúdos capazes de sugerir e provocar críticas e questionamentos sobre fatos e acontecimentos que nos rodeiam.
A consciência negra portanto, pode ser entendida como a propriedade que nós, homens e mulheres negros e negras possuímos, de perceber e entender as situações que vivenciamos em nosso dia a dia. É praticamente um estado de estar consciente.

Quando a polícia entra numa rua de nossa periferia, atira na cabeça e mata um jovem negro, é possível entender que o estado julga esse jovem como um ser inferior, portanto irrecuperável e incapaz de interagir socialmente. E essa foi a mesma justificativa utilizada a 500 anos atrás para escravizar e dizimar centenas de milhares de negros e negras no período da escravidão. Quando detemos essas informações e somos capazes de inter-relacioná-las fazendo uma leitura atualizada da conjuntura, podemos afirmar que estamos manifestando a Consciência Negra.

A consciência está presente quando identificamos a ação do preconceito, da discriminação e do racismo em nossas vidas.


Preconceito e racismo

Preconceito é a ideia pré-estabelecida a respeito de algo ou alguém. Somos capazes de fazer um pré-julgamento daquilo que não conhecemos. Quando numa rua deserta nos deparamos com um homem negro e “mal encarado”, a primeira ideia que vem em nossas mentes é de que esse homem possa ser um ladrão, estuprador e etc. Isso é pré-conceito é julgar sem conhecer.
Mas engana-se quem pensa que o pré-conceito seja um elemento que precisa ser combatido. Muito pelo contrário. Essa capacidade de pré-conceber ideias a respeito de algo ou alguém é inerente da capacidade humana, faz parte do nosso legado racional.

O problema do pré-conceito está na plataforma ideológica que ele está alicerçado. O problema do preconceito está no racismo. É o racismo quem sustenta na grande maioria das vezes todos os conceitos a respeito do ser negro e de todas as suas peculiaridades.

Voltando a rua deserta, quando temos o homem negro a nossa frente, automaticamente as informações racistas a que fomos submetidos ao longo de nossas vidas nos fazem imediatamente ver à nossa frente à imagem do mal. O racismo disse durante séculos que nós éramos inferiores, disse que não tínhamos alma. O racismo disse que a religião dos negros cultuava o diabo, que negros jogam capoeira e isso era condenado. O racismo disse que as mulheres negras vendiam o bolinho do diabo chamado acarajé. E é esse mesmo racismo que nos induz a acreditar que aquele homem da rua deserta seja um homem do mal, seja um mau elemento.

Contudo, quando nós conseguimos nos apoderar das informações que nos trazem a verdade a respeito de nós, daquilo que nos pertence e desenvolvemos ferramentas e ações que combatam esses pré-conceitos, nós automaticamente estamos combatendo o racismo e exercendo a consciência negra.


Racismo institucional

Como o próprio nome já diz, o racismo institucional é aquele que se manifesta nas instituições e pode ser considerado um dos mais perversos, porque suas ações atingem sempre no coletivo. O racismo institucional pode ser identificado nas ações dos governos, nas grandes empresas etc.

Observe o estado das ruas em Vilas do Atlântico e compare com ruas do Lotemanto Jardim Metrópole em Itinga. Veja que um esgoto aberto num bairro nobre jamais permanecerá jorrando fezes pro meio da rua durante semanas e as vezes meses.
Veja e perceba que as lâmpadas dos postes em bairro nobre são mais potentes do que as que são instaladas nos potes de bairros pobres e negros. Perceba que a ação da polícia num bairro habitado por brancos é diferente da ação dessa mesma polícia num bairro de negros. Veja como é feita uma busca policial num condomínio de luxo e num barraco em bairro pobre. Essas observações dão conta do que é o racismo institucional. Mas tam mais.

Observe que programas desenvolvidos pelo governo como o PRONASC, que concentra mais de 80% dos recursos na aquisição de armamento bélico pra polícia matar, ao mesmo tempo em que pede que pessoas simples deem oficinas culturais gratuitas nas comunidades. Perceba o quanto o estado tem mais prazer em liberar urnas funerárias do que desenvolver atividades culturais nas periferias. O estado compra e mantem um helicóptero no ar e busca um assaltante negro dentro da periferia, mas é incapaz de oferecer uma assistência real àquela mãe que desesperada tenta tirar seu filho das drogas. Isso é racismo institucional.

Ricardo Andrade
Movimento Negro Unificado
Campanha Reaja
Posse PCE / Mov. Hip Hop

quarta-feira, outubro 27

RACISMO – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER – ABUSO DE AUTORIDADE-TORTURA


Sábado dia vinte e três de outubro de 2010, por volta das 14: 00 hora, um pelotão da Polícia Militar da Bahia, invadiu o assentamento D. Helder Câmara, em Ilhéus, levando a comunidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais a viverem um momento de terror, tortura e violência racial.

Os fatos: Ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza, sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA – Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária e, portanto a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali. Menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos.

Diante deste questionamento, o comandante alegando “desacato a autoridade” autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega identificado como “Jesus”, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para “afastar satanás”.

Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la um dos policiais apontou a pistola para cabeça da sacerdotisa, ameaçado que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi atirado contra os trabalhadores. O desespero tomou conta da comunidade, crianças choravam, idosos passavam mal. Enquanto Bernadete (Oxossi) algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida jogada na viatura, os policiais numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam “fora satanás”!

Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada bastante machucada foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar “satanás”, e que os Sem Terras fossem se queixar ao Governador e ao Presidente.

A delegacia foi trancada para impedir o acesso de pessoas solidarias a Bernadete, enquanto os policias regozijavam – se relatando aos presentes que lá no assentamento além dos ataques a Oxossi (incorporado em Bernadete) também empurraram Obaluaê manifestado em outro sacerdote atirando o mesmo nas maquinas de bombear água. Os policias militares registraram na delegacia que a manifestação dos orixás na sacerdotisa Bernadete se tratava de insanidade mental.

A comunidade D. Hélder Câmara exige Justiça e punição rigorosa aos culpados e conclama a todas as Organizações e pessoas comprometidas com a nossa causa.

Contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a violência policial, contra a violência à mulher, pela reforma agrária e pela paz.


Projeto de Reforma Agrária D. Hélder Câmara

Ylê Axé Odé Omí Uá

quinta-feira, outubro 14

Reaja ou Será Mort@- Mais do Mesmo em Ano Eleitoral


O anúncio da morte de dois jovens negros, Tiago Santos e André Cardoso, militantes do Movimento Hip Hip de Salvador, articuladores comunitários moradores do Alto do Coqueirinho em Itapoã, por uma guarnição da policia militar do Estado da Bahia que fazia suas sistemáticas blitz fatais confirmou o que dizemos em nossa luta cotidiana contra a política de genocídio e racismo que opera nesse Estado. Independente da coloração ideológica de quem ocupa o Palácio de Ondina trocamos seis por meia dúzia e ainda contamos cadáveres. Não tem nada de profético nas coisas que falamos em nossas análises que registram os fatos dessa época tumultuada pelo racismo e pelo genocídio dos negros e negras.

Uma semana antes das eleições, um grupo de entidades pomposamente auto-proclamada Movimento Negro fez uma passeata de apoio ao governo: puro vapor! O governo não disse uma linha sobre agenda racial nas eleições e eles marcham para ser notados pela casa grande, uma mentalidade adesista que encontra oposição em nível nacional ainda que esses setores declarem com certo nível de esquizofrenia que falam pelos negros do Brasil. NÃO EM NOSSO NOME !!! É o que exigimos. Falem por si , nos deixem em paz em nossa guerra.Somados aos nomes de Tiago Santos e André Cardoso mortos covardemente por policiais militares do governo do Estado da Bahia acrescentamos os nomes daqueles que nãopodem ser esquecidos nessas manifestações.

Clodoaldo Souza , 22 anos, morto por um grupo paramilitar, 09 tiros. Ricardo Matos , artista circense morto por uma guarnição da policia militar no bairro Boca do Rio. Dejair , morto por uma guarnição da policia militar na comunidade conhecida como Pela Porco. Lucas, Rodrigo, Diego,Marcelo, Luiza, Marcus, Antonio...pode ser qualquer um, pois nenhum negro está a salvo. Por fim Evangivaldo Santos (irmão de Xarope) morto por uma guarnição da Rondesp, 9 tiros pelas costas. Cezar Nunes, Secretário de Segurança tinha assumido naquela semana e afirmou que Evangivaldo resistiu, abrindo com o sangue desse jovem as Operações Saneamento I e II, que seguem executando jovens negros numa ação digna das doutrinas eugênicas de Nina Rodrigues e Lombroso.

Diante de todas as mortes nós da Campanha Reaja nos posicionamos e continuamos a cobrar apuração e punição dos culpados.

Por isso exigimos:

· O Fim da Policia Militar num Estado Democrático de Direito(Agenda Nacional que exigiremos de nossos aliados na Câmara dos Deputados , junto com as organizações aliadas );

· Imediata demissão do Secretário de Segurança Pública Cezar Nunes e dos Oficiais do Comando da Policia Militar, responsáveis diretos pela ação de seus subalternos, como demonstração do Governador de que ele quer mudar sua política racista e genocida de segurança pública;

· Imediata mudança da política carcerária do Estado garantindo o princípio da legalidade e da dignidade dos prisioneiros e prisioneiras, que a cda dia tem sido violada;

· Imediato fechamento da Colônia Penal de Simões Filho que viola o princípio da prevenção com seus gazes que podem vazar e seu esgoto que transborda para uma comunidade quilombola


Nós, da Campanha Reaja, nos posicionamos frente a possível retomada dos setores medievais teocráticos e racistas que esperam retornar ao comando do governo brasileiro, mas não aderimos sem críticas a setores que não reconhecem a agenda da população negra como estratégica. Nós, da Campanha Reaja, apoiaremos e participaremos de toda ação que busque dar visibilidade a situação de violência a que estamos submetidos e mudar a lógica em curso sem nos dobramos ao pragmatismo eleitoral que silencia vozes importantes de nossa história política.


Salvador, Bahia, Brasil
Outubro de 2010

quinta-feira, outubro 7

Em 2 dias polícia mata 6 em Itinga

Definitivamente é o fim. Não há mais o que escrever nem reclamar. Matar jovens negros virou o principal programa da polícia baiana. As execuções acontecem a todo o momento, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. Não temos a mínima chance de defesa, nem se quer suplicar podemos.

Não há investigação, não há processo, não há mandado. A polícia faz o que quer e engane-se quem pensa que está fora de controle. É tudo calculado, o comando deu carta branca e o governo compartilha com as chacinas.

Agora a pouco quarto foram executados no Fazendão, perto da Sede do Esporte Clube Bahia - Itinga, uma das vítimas era uma mulher.

Precisamos enquanto juventude organizada dá a nossa ultima cartada. Ainda temos o voto do dia 31 como arma. Se eleger Dilma significar a continuidade dessa matança, como está sendo a reeleição de Wagner, aconselho que nosso voto seja nulo. Não podemos compartilhar, nem assinar esse cheque.

Antes de declaramos nosso voto à candidata de Lula, ela terá que dá um basta e colocar uma coleira na polícia baiana. Não aguentamos mais contar cadáveres. Será que o estado brasileiro não tem outra ferramenta pra lhe dá com os jovens negros que não seja o fuzil?

Campanha Reaja

quinta-feira, setembro 30

Sabemos o que queremos


... para nós o cenário eleitoral está muito bem definido. Essas fofocas de corredores de gabinete ficam pra quem não tem o que fazer. Eu voto em Valmir Assunção pra Deputado Federal e isso é intestinal. Meu candidato a estadual é Sergio São Bernardo e não há espaços pra debate.

As organizações das quais pertenço também fecharam em torno de Valmir Assunção e alguns membros tem preferencias por candidatos diferentes pra estadual o que é muito normal e evidencia nossa maturidade política.

Somos livres e autônomos. Nossos acordos políticos nascem da sintonia de nossos projetos com as candidaturas que apoiamos, há interesses em jogo.

Não somos obrigados a nada. Não somos funcionários que precisam engrossar fileiras e gritar os nomes dos candidatos dos patrões pra manter o emprego. Se na conjuntura municipal existir elementos que a relação nos interesse, podem estar certos de que em nome de nossos interesses essas relações serão firmadas.

As candidaturas a deputado estadual de Carlucho, João Carlos Bacelar e Chico Franco que flutuam entre membros de nossa organização são bem vindas sim e não precisamos prestar contas a ninguém dessas escolhas. Aqui na cidade o governo é petista e tem secretário que apoia correligionários do presidenciável Jose Serra. E aí?

Nossa rejeição está para além de candidaturas. Nós rejeitamos os projetos que nos aniquilam. Se fossemos radicalizar a esse ponto, a rejeição maior seria aos candidatos Rui Costa e Salvador Brito que são os que mais representam o projeto de Cesar Nunes que manda a polícia invadir nossas comunidades e matar nossos amigos e parentes.

Resumindo, não há confusão nenhuma. O que fazemos são acordos que nos interessam e nos fortalece, pois sabemos muito bem o que queremos e onde vamos chegar. A eleição de Valmir Assunção é a nossa meta agora.


Ricardo Andrade
Movimento Hip Hop
Lauro de Freitas