segunda-feira, março 5

Lauro de Freitas pode ser uma referencia pro Brasil


Nas minhas andanças pelo Brasil, observo e vejo o quanto é sólido o projeto político da juventude negra de Lauro de Freitas. Os dez anos de organização social da Posse PCE dão a esse grupo uma propriedade e acúmulo político, capazes de proporcionar esse tão esperado momento de se fazer representar politicamente.

Lauro de Freitas pode ser um exemplo para a juventude do país. Sou testemunha do quanto esta juventude tem potencial cultural e político. Potencial esse que, inclusive, ajudou na eleição da prefeita Moema em 2004. O Hip Hop foi a primeira organização cultural a aderir ao projeto político do PT na cidade.

A quantidade de grupos que se organizam nas comunidades é enorme, e comprova a capacidade de expansão da PCE que pode chegar, sim, ao parlamento municipal.

A PCE participou ativamente na elaboração e formulação de propostas de políticas públicas no estado da Bahia, mostrando uma extraordinária capacidade critica e de construção.

Um fato que também caracteriza a PCE é a abertura que essa organização tem, para se relacionar com outros movimentos sociais/culturais, outros ritmos e expressões.

Hamilton Oliveira
Dj Branco
Comunicador Social
Coordenador CMA Hip Hop



Segurança pública

Itinga é hoje o maior núcleo urbano populacional do município de Lauro de Freitas, consequentemente demandaria atenções especiais dos poderes públicos. Entretanto e sobretudo, nos últimos anos, assim como em Salvador e Região Metropolitana, a única representação que mais tem atuado no referido bairro é o aparelho repressor do Estado. Este que, por sua vez, desprovido de uma formação pautada na questão racial como algo preponderante aos direitos humanos “ao vestir a farda, o policial negro se identifica com o poder” ou seja, sai da condição de oprimido e se transforma em opressor.

Espetáculos de barbárie tem levado o terror pra dentro dessa comunidade por meio de atos truculentos que se sucedem diuturnamente em suas mais variadas formas, seja por meio de violência: simbólica, física ou psicológica. Essas ações tem gerado todo um mal estar para o população que já não sabe mais em quem confiar.

O fato é que sob o pretexto de estar combatendo o tráfico de drogas e a violência, vários jovens dessa comunidade já tiveram os seus projetos de vidas interrompidos por esse tipo de incursões e morreram, vítimas do assédio das forças de segurança e de Justiça. E é muito importante dizer, ainda, que a truculência da polícia não tem conseguido reduzir a violência no bairro, ao contrário. Estatísticas apontam para um crescimento no número de homicídios em toda a cidade. Sobretudo nos fins de semana.

A ênfase na repressão é sem duvida uma visão conservadora da Segurança Publica, apoiada sobretudo pelas corporações policiais, que insistem em defender mais policiamento, mais armamento, rigor e repressão, enquanto que em contrapartida a isso, a sociedade civil organizada, membros das religiões de matriz africana, o movimento negro, intelectuais e simpatizantes da causa como um todo, acreditam em medidas voltadas para problemas sociais tais como: capacitação profissional, geração de emprego e, sobretudo, mais educação, cultura e esporte.

O momento é de mantermo-nos mobilizados, para defendermos o interesse coletivo no sentido de nos colocarmos frente aos atos arbitrários de RACISMO que vem ceifando vidas, de modo particular dos “nossos jovens” que, em como todo o Brasil, tem quase sempre as mesmas características: são Pobres, Negros e moradores da Periferia.

Nosso papel é recomendar e monitorar as políticas públicas de enfrentamento ao racismo, que são empreendidas pelo Opressor. REAJA!

Por:Tom França
Historiador 
Membro da P.C.E
Instituto Búzios.










Para além de UPPs, propomos UCps

Mara Azantewa - Rapper / Vivian A Olhasse - Produtora Cultural / Simone Gonçalves - Dançarina / Nany Nascimento - Poetiza / Rebeca Tárique - Cantora / Viviane Akuabá - Rapper / Leidiane Alves - Comunicadora / Rafael e Negro Ney - B Boy / Bamzay e Ju Cobra - Rappers / Yogi Nkrumah - Rapper / Kiko - Dj / Zidane - MC / Duendi 1º- Rapper / Jeferson Patrik - Grafiteiro / Rilk e Junior - Rapers / Chiclete - Dançarino / Marquinhos - Dançarino / Ananias - B Boy / Renato Lima - Ator / Rodrigo Tavares - Músico / Alex Andrade - Família Mazzoni

...de unidade de polícia pacificadora para unidades de cultura da periferia.

Parece que vivemos numa guerra em nossas comunidades. Toda semana temos a informação que um morreu, outro tomou tiro ou que teve chacina na rua do lado. Esse clima de guerra e insegurança nos obriga a manter a estratégia da unidade.

Nos agentes culturais de nossas comunidades, precisamos entender que, nesse momento, não existe cultura melhor ou mais importante que outra. Todas as tribos, ritmologias e expressões culturais, são aliadas dessa luta contra o tráfico e a violência.

Imagine uma guerra no meio do deserto, sol escaldante e alguém traz água. Quem vai perguntar se a água é da marca Indaiá ou Cristal? Nesse momento isso é o que menos importa.

É assim, também, em nosso cotidiano. Quando os homens encapuzados e fortemente armados entram em nossas comunidades, para matar, eles não selecionam quem curte pagode, hip hop, rock, capoeira, etc...

Somos todos jovens negros e as nossas particularidades culturais não podem ser um impedimento à nossa organização social.

Por isso vamos juntar nossos talentos em prol da vida. Vamos propor ao governo uma modelo de segurança pautado na preservação da vida. Um modelo onde o recurso público seja utilizado na compra de tecnologias que viabilizem a produção cultural.

Um modelo onde o valor gasto na compra de um fuzil pra PM seja revertido na compra de spray para os grafiteiros, pick´ups para os Djs, som para so ensaios dos pagodes, maquiagem paro o ator e instrumentos para os músicos.

Vamos propor um modelo de cultura onde, um cachê de 100 mil para um artista renomado, possa ser canalizado em forma de 100 reais para 100 artistas locais, para que a cultura se difunda e ganhe força nas regiões onde a violência é constante. Vamos propor a troca de polícia armada com revólver, para agentes culturais munidos de violão e guitarra. Vamos trocar as UPPs por UCPs.
 
Por: Ricardo Andrade
Editor














sexta-feira, janeiro 27

Rcismo no Iguatemi


Por volta das 16hs da tarde de quarta feira. Lira e mais dois colegas de trabalho faziam um lanche na Perini do Shopping Iguatemi durante o intervalo de trabalho. No caixa, um homem branco tentou furar a fila e Lira se antecipou reivindicando o direito de ser atendido primeiro.


Os dois discutiram e a atendente do caixa afirmava que Lira estava na fila primeiro. Não conformado com a postura e autoestima de Lira o homem branco começou o insulto:


- Você é organizador de fila? Perguntava o branco a Lira na tentativa de provocá-lo.


A discussão continuou entre os dois e o homem branco vomitou seu racismo:
- o que é que você quer seu negro (preto) do cabelo fudido? Você quer sair na mão comigo?


Lira se recusou a brigar na mão e diante da agressão verbal se dirigiu ao segurança do shopping, que quando foi informado por Lira que se tratava de um crime de racismo se negou a dá assistência dizendo a Lira procurasse a polícia.


Nesse momento o branco que já fizera seu pagamento, saia da loja Perini. Líra o seguiu e em frente a Loja HP voltaram a discutir. O homem branco chegou a encostar por duas vezes a mão no rosto de Lira que revidou e derrubou o copo de vinho que ele segurava na mão. Os dois colegas de Lira se aproximaram e o branco entrou na loja HP dizendo que os três jovens queriam rouba-lo, que estavam se juntando para pega-lo.


Com a confusão formada os seguranças do shopping resolveram então agir. Levaram os três jovens negros e o branco para área de segurança no fundo do shopping.


Tentavam apaziguar a situação, mas Líra não aceitou nenhum tipo de negociação. Pediu que os seguranças chamassem a polícia, pois se tratava de crime de racismo.

Quando a PM chegou, acreditamos que fora orientada pelos seguranças do shopping, nem permitiu que Lira e os jovens se pronunciassem. Levou os três jovens espremidos na mala da viatura, enquanto o branco no interior do carro era chamado de senhor. A PM chegou a ameaçar algemar os jovens negros.


A campanha Reaja e outros militantes negros quando acionados se dirigiram imediatamente a 16ª delegacia no bairro da Pituba. O advogado acionados pela campanha Reaja, Zé Raimundo, acompanhou Lira no depoimento e teve que exigir que no depoimento constassem detalhes ditos por Lira e que a autoridade policial se negava a registrar, alegando que tinha coisas mais importantes pra fazer.


As 20hs saímos todos da delegacia. Segundo nosso advogado, delegado não concluiu o termo circunstancial. Não tipificou o fato e nem houve enquadramento. Ou seja Lira ainda pode sair como o agressor nessa situação.


*Obs.


1- Lira foi orientado, pelo delegado, a esperar uma intimação chegar em sua casa.


2- Um dos PMs que conduziu os jovens a delegacia exigiu que Lira desse nome, endereço e telefone.

sexta-feira, novembro 18

 
 
20 de Novembro Dia Nacional da Consciência Negra
Quilombo Xis –Ação Cultural Comunitária pela vida , pela liberdade  contra o racismo e o neo-colonialismo e o encarceramento
 
Nós, Quilombo Xis- Ação Cultural Comunitária, espalhados pelas ruas, vilas, cadeias e favelas, cuja maioria a voz não é ouvida, cuja maior parte tem sido espoliada, a maioria encarcerada, a maioria subjugada pelo Estado Brasileiro e seus lacaios assentados em governos racistas. Nós, que vivemos diretamente o rigor de uma sociedade racista, homofóbica, sexista e segregacionista, celebramos nesta semana o caráter revolucionário e intransigente de Zumbi dos Palmares, Aqualtune, Dandara e Andalaquituxe. Líderes do Quilombo dos Palmares, líderes de uma experiência panafricana de libertação que nos inspira uma luta real contra o racismo, o bom combate, a busca sem massagem por dignidade humana para todos e todas. Não soltamos rojão para os supostos avanços da agenda racial celebrados por funcionários negros e brancos dos governos. Os avanços são tão parcos que não nos motivam outra atitude, a não ser a luta. Os supostos avanços não conseguem parar a matança contra nosso povo, os avanços ainda não se configuraram em terras para os trabalhadores rurais e a devida posse para os quilombolas signatários desta data. Os avanços assistem em silêncio a utilização de negros e negras como insumos do empreendimento industrial carcerário que mantêm neutralizados milhares de homens e mulheres negros em sua fase mais produtiva. Os avanços são uma farsa montada para nos fazer parar a marcha dos negros e negras para a nossa  verdadeira libertação.
Exigimos ainda reparação histórica e humanitária pelos séculos de trabalhos forçados. Exigimos a responsabilização do Estado Brasileiro pelo crime de lesa humanidade que vem sendo praticado desde o período colonial e ainda hoje nos aniquila.
 
O 20 de novembro para nós tem um significado de amor a causa de liberdade. O 20 de novembro é uma celebração de luta, de ação das pessoas que estão colocadas desde baixo, as pessoas mais vulneráveis aos efeitos do racismo, ou seja, nós: prisioneiros, prisioneiras, travestis, moradores de rua, esfarrapados, desempregados  que sobrevivem nas ruas. Os usuários do SUS morrendo por doenças evitáveis ou há muito erradicadas; as vítimas dos “baculejos” e achaques da polícia; os suspeitos padrão, os jovens guardados nas instituições de seqüestro (Case, Fundação Casa, FEBEM , Penitenciárias, Manicômios). Enfim, falamos aqui como parte da realidade que o racismo constrói, em nome próprio, por nós mesmos.

quarta-feira, novembro 9

Ação Intramuros

Circuito Cultural em Alusão ao dia Nacional Pró- Saúde da População Negra e Conferencia Livre de Cultura

Local: Colônia Penal Lafaiete Coutinho, Penitenciária Lemos de Brito, Conjunto Penal Feminino





Realização: Quilombo Xis -Ação Cultural Comunitária







quinta-feira, outubro 13

Referência negada


No dia sete de outubro as estrelas vermelhas petistas brilharam no ato de filiação de mais de noventa novos militantes, que aderiram ao projeto PT em Lauro de Freitas. Nesse ato, uma dessas novas estrelas se destacava. João Oliveira, o vice-prefeito, vestia pela primeira vez a camisa vermelha do PT.

Mas além do vermelho predominante, estrelas de outras cores também reluziam seus brilhos, afirmando presença naquela noite de quinta feira. Estrelas de brilho enegrecido e de grande valor desfilavam na constelação petista laurofreitense.

Tom Zé da Bahia, Reginaldo Fuscão, Menezes, Ricardo Andrade, Ester Pinheiro, Taísa, Sonia, Suli Nascimento, Sandra Regina, Apio Vinagre, Yogi Nkrumah, Erica Capinan e tantas outras estrelas de incandescência negra afirmaram a presença afrodescendente no ato de filiação petista que já trazia em seu conteúdo o start do processo eleitoral de 2012.

Foi nesse mesmo ato político e de reconfiguração do projeto político, que esses militantes negros tiveram sua atenção despertada para a negação da referencia afro-brasileira que desreispeitosamente vem acontecendo no Espaço Mãe Mirinha de Portão. Relatos evidenciam que esse espaço cultural e de referência da Cultura Afro-brasileira, que fora construído, ampliado e reformado com recursos federais, a partir de emendas do deputado negro Luiz Alberto, vem sendo subutilizado por grupos evangélicos que insistem em negar os símbolos e emblemas que são pertencentes ao seu projeto inicial.

Pastores, bispos, diáconos e representantes evangélicos que atendem por outros títulos, solicitam o Espaço de Referencia da Cultura Afro-brasileira paras os mais diversos fins como casamentos, encontros, vigílias etc e insistem em cobrir as imagens que simbolizam a identidade daquele espaço com panos e cortinas. Escondem as imagens dos orixás atrás das pilastras, viram os símbolos e os quadros com a frente para as paredes escondendo-lhes a face.

Cobrir as imagens dos orixás com panos, virar a face dos quadros e dos símbolos para a parede escondendo-lhes a face é promover a negação da identidade de nosso povo e o mais grave é que isso acontece dentro do Espaço de Referencia de nossa identidade.

Foi importante essa denuncia acontecer na quinta feira, no ato de filiação das novas estrelas do PT. A estrela do PT é o símbolo máster desse partido e jamais poderá ser coberta ou virada para a parede. A estrela tem que brilhar e se afirmar cada dia mais na sociedade assim como os símbolos que afirmam a identidade do negro também precisam ser afirmados.

A superintendência de Promoção da Igualdade Racial, órgão do governo que administra o Centro de Referencia da Cultura Afro-brasileira em Lauro de Freitas precisa se pronunciar publicamente sobre o episódio e garantir que nossa identidade não seja negada. A estrela que tremula majestosamente na bandeira vermelha e não se permite ser negada, precisa garantir que outros símbolos importantes se afirmem em sua gestão.

Ricardo Andrade
Editor