quinta-feira, agosto 27

Estado de Guerra


É caótica a situação da segurança pública na cidade de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. O número de homicídios que diuturnamente se repetem nos bolsões de miséria existentes no município nos dá uma idéia do estado de guerra em que vivemos.


As políticas de “segurança patrimonial” implementadas pelo governo são incapazes de conter a violência. A mais visível delas é o aparato policial que costumas produzir mais e mais óbitos no exercício de sua função.


As cadeias super lotadas nos dão uma dimensão que de o projeto de segurança é falido. Os processos de investigação da policia recheados de rituais de tortura, dissemina o ódio e arrancam confissões aleivosas.


A lentidão do judiciário municipal engaveta processos por meses e meses, enquanto suspeitos esperam ser ouvidos pela justiça nas delegacias e complexos penitenciários. As áreas de maior risco e de concentração de violência, são justamente aquelas onde as políticas não chegam de forma efetiva.


Enquanto a cidade de concreto sobe em direção ao céu, faltam quadras de esportes e centros de cultura e lazer nas periferias. O governo CONSEG construir uma delegacia no bairro de Portão, mas é incapaz de reformar o Centro Social Urbano que fica no mesmo bairro.


Na mesma linha ideológica segue o exemplo de Areia Branca, onde uma delegacia já se encontra em vias a construção enquanto um toco de árvore no meio do campo impede que jovens crianças e adolescentes “peguem o baba” do final de tarde na comunidade do Jambeiro. O info-centro dessa localidade está desativado e o governo municipal ainda não apresentou à comunidade o balanço de onde foi gasto o dinheiro do PRONASCI.


O bairro de Portão está sitiado. O medo é imposto por traficantes e pela polícia. Se o valor gasto nessas operações vingança da polícia fosse transformado em recursos para atividades culturais naquela região, o resultado da política seria bem melhor. Só o dinheiro que é gasto com combustível pra manter o helicóptero da PM sobrevoando o céu de Portão, daria pra promover festivais de cultura e entretenimento no bairro.


Mas a lógica é outra. É preciso matar. Se não tiver corpo no chão, a ação não é bem sucedida. Essa é a matriz da atual política de segurança do Estado.


Posse PCE
Movimento Negro Unificado
Campanha Reaja ou Será Mort@

segunda-feira, agosto 17

Sobre a nota de Moema


Olá caros leitores, após um período de silencio em virtude da nossa participação na construção do ENPOSP (Encontro Popular Pela Vida e por um outro modelo de Segurança Pública), que inclusive foi um secesso, retornamos ao cenário político municipal e já somos recepcionados com mais essa crise institucional envolvendo o governo de Moema e Wagner.


Recebi o e-mail do secretário municipal de governo com a nota à imprensa assinada pela prefeita Moema Gramacho questionando o caráter do Deputado Federal João Leão, futuro secretário estadual de Infra-estrutura do Governo do Estado.

As provocações e insinuações que Moema faz em sua nota são relevantes e carecem da atenção dos leitores. Quem lê a nota da prefeita, encontra verdades impressas em seu texto. Mas o tiro dado pela prefeita de Lauro de Freitas atinge também o seu próprio pé.

Existem realidades que precisam ser levadas em conta. Se Roberto Muniz e Leão foram mentirosos em seus decursos de campanha quanto ao projeto petista, como afirma a prefeita, Moema também mentiu sobre a capacidade administrativa dos referidos.

Vocês ao de convir que o governador, dado a experiência que tem, não nomearia dois incompetentes para administrar pastar tão importantes de seu governo. Sendo assim, fica explicitado que as campanhas políticas são recheadas de mentiras. Mentiras de todos os lados. Wagner comprovou que Leão e Roberto mentiram quando disseram que o projeto petista era fracassado, ao mesmo tempo em que desmente sua correligionária, quando atesta a competência do seu novo secretário.

quinta-feira, junho 18

O CONSELHO DE JUVENTUDE E A INVERSÃO DE PRIORIDADE


Sinceramente não entendo a postura de alguns. Qual a real relação que a Petrobrás tem com a juventude do estado da Bahia?

Sei que é uma empresa milionárias de vultuosos lucros e que interessa a muita gente. Mas não consigo entender essa INVERSÃO DE PRIORIDADE.

Não sei qual a real intenção de quem propõe a mobilização da "juventude" em prol da Petrobrás, em detrimento a dezenas de atentados a vida de jovens baianos, que cotidianamente são executados por essa política racista do governo do estado.

Não vi esse CONSELHO se manifestar nem mobilizar a juventude contra tais violências. No entanto, sou agressivamente convidado a sair de minha casa pra engrossar o caldo numa manifestação a favor de uma empresa que está sob investigação. Deixa rolar a CPI porra, "quem não deve não teme". (A polícia da Bahia diz muito isso).

Na moral galera...... SER CARA DE PAU É UMA COISA, MAS SER DESCARADO É O FIM DA PICADA


SUGIRO QUE O FÓRUM BAIANO DE JUVENTUDE NEGRA, COLOQUE ESSA MESA DIRETORA "INSTITUCIONALIZADA" NA PAREDE PRA SEBAER COLÉMERMO DESSA PATIFARIA.


O SANGUE DERRAMADO LÁ EM CANABRAVA NEM COAGULOU AINDA? PORQUE NÃO PENSAMOS NUMA MANIFESTAÇÃO LÁ. ISSO NÃO INTERESSA NÉ? NÃO TEM DINHEIRO PRA BANCAR CAMPANHAS ENVOLVIDO NÉ?

Aí juventude negra..... bora se ligar. Não podemos decepcionar nossa ancestralidade. ESTAMOS EM GUERRA PELA NOSSA SOBREVIVENCIA.


Ricardo Andrade

Ministro de Comunicação e relações institucionais da PCE
Movimento Negro Unificado

Associação de Familiares e Amigos de Prisioneiros



sábado, junho 6

Boca de Filme reúne mais de 70 crianças em Itinga


Aconteceu ontem, sexta feira, a 1ª edição do projeto Boca de Filme, que reuniu cerca de 70 crianças no Espaço Big Brother, no loteamento Jardim Metrópole em Itinga. O filme exibido foi “Kiriku e a Feiticeira”, que tomou a atenção de crianças, adolescentes e adultos que compareceram à mostra.

A PCE, Posse de Conscientização e Expressão, idealizadora e executora do projeto diz que a expectativa foi superada, “nossa intenção era reunir 50 crianças nessa primeira edição, mas vieram mais de 70” afirma Rosana Galo, Ministra de Desenvolvimento Social da PCE.

Além da exibição do vídeo foram distribuídos lanches, pipocas e surpresas para os presentes. Ao final da História de Kiriku, membros da PCE falaram das semelhanças entre o personagem do vídeo e as crianças do Jardim Metrópole.

- Muito de vocês aqui se parecem com Kiriku. Vocês são inteligentes, corajosos e espertos... Vamos fazer que nem Kiriku... Vamos entender quais os causadores de nossos problemas e agir de forma inteligente para resolver essas coisas ruins que acontecem aqui em nossa área. Fala de Gilberto Borges, diretor cultural da PCE em alusão as enchentes, deslizamentos de encosta e a falta de estrutura do bairro.

Na próxima quinta feira, outra sessão será realizada e a expectativa da PCE é reunir 100 pessoas com distribuição de sopão no final.




quarta-feira, junho 3

Uma Boca de Filme foi instalada em Itinga


PROJETO BOCA DE FILME

O projeto Boca de Filme é uma iniciativa da Posse de Conscientizaçã o e Expressão em parceria com a Associação Cultural Big Brother e acontecerá no Loteamento Jardim Metrópole no bairro de Itinga, cidade de Lauro de Freitas.

Boca de Filme surge a partir da necessidade diagnosticada pela Posse PCE de promover entretenimento, consciência política, despertar crítico e aquecimento cultural nesse Loteamento em Itinga.

O Loteamento Jardim Metrópole, situado no coração do bairro de Itinga, bem próximo ao Largo do Caranguejo, a poucos metros do Fazendão (Esporte Clube Bahia) e do Aeroporto Internacional de Salvador, sofre as penas de ser uma região periférica e habitada por gente negra e pobre.

Em pesquisa realizada pela AGÔ CONSULTORIA, os números mostram as debilidades e fragilidades dessa comunidade, que somada a falta de investimento público, faz dessa região uma área de risco.

Segundo a pesquisa, esse loteamento registrou 02 (dois) suicídios, 05 (cinco) homicídios, além de trocas de tiros, dezenas de agressões físicas e verbais e ameaças diversas. A pesquisa indica ainda, um alto índice de consumo de álcool e drogas do tipo: maconha, crack e cocaína entre jovens e adolescentes. Foi registrado também, uma tendência real de organização do crime nessa região, tendo em vista a presença de pontos de vendas de entorpecentes no interior dessa comunidade. A pesquisa aponta ainda, grande quantidade de indivíduos com histórico prisional e famílias com parentes ainda sobre a tutela do estado em presídios e/ou delegacias, fato que as tornam mais vulneráveis.

A polícia é a política pública mais visível nessa região. As abordagens violentas, a corrupção, as agressões a pais e mães de família, as invasões de domicílio sem mandato judicial e o estado de terror e medo, são as principais ferramentas do Estado em funcionamento nessa comunidade. Somado a isso, a falta de investimento em infra-estrutura nessa região, resulta em alagamentos, deslizamentos de encostas e o desenvolvimento de doenças diversas.

É a partir desse diagnóstico que a Posse de Conscientizaçã o e Expressão que tem sede nessa comunidade, fecha parceria coma a Associação Cultural Big Brother e planeja ações conjuntas que visam amenizar e/ou reduzir os danos dessas mazelas que afrontam a cidadania dos moradores desse Loteamento.

Boca de Filme funcionará também como célula estimuladora de produções culturais e divulgação de artistas locais, além da possibilidade de geração de renda para as organizações e grupos da comunidade.

O nome BOCA DE FILME por si só já se apresenta como ferramenta de desconstrução do estigma de que essa comunidade carrega. O Jardim Metrópole é tido como uma grande “boca de fumo” e nós como comunidade organizada sentimos a necessidade de combater esse estigma dizendo que aqui funciona uma Boca de Filme, onde a comunidade se reúne para assistir filmes, documentários e produções independentes. Isso elevará a auto-estima de nossas crianças e adolescentes nas escolas e praças além de provocar uma nova leitura dos currículos que apresentam o nome desse loteamento como endereço residencial.

Boca de Filme reunirá nos fins de semana a comunidade para assistir a documentários, filmes de produção independentes, peças teatrais além de produções audiovisuais produzidas na própria comunidade: documentários, clips de rap, jornais, partidas de futebol etc. Boca de Filme pretende ainda pleitear a liberação para exibir as aulas do Telecurso que serão utilizadas como reforço escolar para alunos de escolas públicas com baixo rendimento escolar.

A parceria com a Associação Big Brother garantirá o espaço físico para realização da atividade e ainda a distribuição de sopão ao final de cada exibição.

Entidades parceiras como MNU, CMA Hip Hop, ASFAP, CDCN, Rede Ayiê Hip Hop, Fórun Bahiano de Juventude Negra, SUPPIR e a Defensoria Pública) ajudarão nas questões técnicas, na seleção dos vídeos e na proposta pedagógica do Projeto.

Ricardo Andrade
Ministro de Comunicação e
relações institucionais
PCE (Posse de Conscientizaçã o e Expressão)
ASFAP (Associação de Familiares e Amigos de Presos)
(71) 8725-2639


SINOPSE

O desenho que será exibido nessa primeira edição conta a história de

Kiriku.

Kiriku é um menino que já falava quando ainda estava na barriga da mãe. Na verdade, foi ele quem escolheu seu próprio nome logo que nasceu. Ele está destinado a libertar uma vila africana de uma feiticeira chamada Karaba, que secou as fontes de água e sequestra os homens do local. Kiriku vai até o sábio da montanha, conhecedor do segredo de Karaba, e em seguida parte para enfrentar a feiticeira.


Essa história faz parte do folclore africano e fala da determinação na luta pela liberdade. Kiriku nasce para ser livre, tanto que quando ainda está na barriga da mãe ele diz: "Mãe, dê a luz a mim!" Segundo o diretor e roteirista, Michel Ocelto, foi também um grande oportunidade para mostrar o povo africano e alguns de seus valores. O roteiro foge do óbvio, ao contrário do que acontece em outras produções do gênero. E conta ainda com boa trilha sonora e personagens cativantes.

A trilha sonora do filme foi feita pelo senegalês Youssou N´Dour, um dos mais famosos músicos africanos, que tornou-se popular pela música 7 seconds


quarta-feira, maio 13

Estamos aqui travestidos de Monstros?


Nos tempos cruéis em que vivemos, quando vemos os valores humanos tradicionais sendo desconsiderados ou invertidos, as instituições sendo arrastadas à podridão moral e ética, a representação política desacreditada por gangues de malfeitores que nela se instalaram, repressão policial preconceituosa e assassina. Percebe-se que o cidadão comum está cada vez mais por sua própria conta. Sem ter a quem recorrer e nem por quem gritar, envolto por cortinas sombrias e atolado em um mar de lama fétido e pútrido de onde luta ferozmente para se libertar.

A segurança pública desenvolvida pelo Estado é totalmente falha e genocida, mata-se depois pergunta: “quem é o morto?”. Caso ele (o morto), não tenha antecedentes, rapidamente se arranja um. Ele já tem tudo que precisa para ser um “criminoso”. Ele é preto e também é pobre!

Jovens negros são assassinados de forma cruel, sem nenhuma chance de defesa, revelando números que deixariam assustada a maior das guerras. O número alarmante de execuções por parte da polícia por motivos de “resistência” (94 óbitos de janeiro a abril de 2009) são verdadeiramente estarrecedores e duvidosos. O braço armado do Estado desenvolve um papel altamente preconceituoso, reproduzindo de forma intensa às ações racistas de uma sociedade branca e elitista que combate e coisifica o negro no Brasil, negando-lhe princípios básicos, e o que é pior: nunca admitindo o racismo exacerbado praticado em todos os âmbitos do poder que segregam e excluem a população negra..

De forma paradoxal, ao pensamento elitista que pensa estar tratando com pessoas que não tem outra serventia que não seja: roubar, matar, e consequentemente ser morto. O que se vê na verdade, são pessoas honestas que são assassinadas por um sistema facínora e dicotômico que nega aos negros tudo aquilo que é dado ao branco sem nenhum tipo de interpelação.

Não são admissíveis as diferenças existentes entre estas etnias no Brasil hoje, de um lado: você tem as disparidades salariais entre negros e brancos, a presença nas universidades, os números do sistema carcerário e outros.

Em tempos de PRONASCI, se dizer que: “incluir o preconceito racial nas discussões” acaba por desviar o foco das Conferências de Segurança Pública e privilegiaria uma “raça” em detrimento da outra, revela no mínimo uma ética enviesada e realmente discriminatória. Faz-se urgente a inclusão desse eixo temático na discussão do CONSEG (Conselho de Segurança) para que se possa repensar um novo modelo de segurança para o Brasil.

Jovem, negro, sexo masculino, com baixa escolaridade, morador de comunidades populares. Este é o perfil da maioria das vítimas de violência no país, segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais 2007-2008. De acordo com a pesquisa, no período entre 1999 a 2005, cerca de 15,5 mil brancos foram assassinados. Entre os negros, no mesmo período, foram registrados 27,5 mil homicídios, ou seja morrem 3,33 pessoas negras e pardas por hora no país.Os índices de violência contra a mulher em Salvador são também crescentes e alarmantes.

Segundo a Pnad/2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres representam 52,4% da população da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Dentre estas, aproximadamente 81,9% são negras e pardas.
Em 2007, foram registradas 8.875 ocorrências policiais na Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher), relativas a crimes praticados contra mulheres, abrangendo desde ameaças até lesões corporais, espancamentos, estupros. Em 2008, foram 7.520 registros.

Segundo Dados de uma pesquisa de 2003, da Universidade de Brasília (UnB), mostram que o percentual de alunos e docentes negros nas universidades públicas brasileiras gira em torno de 0,5%. Mantidas as condições sociais de hoje para os próximos 170 anos indica que esse índice não ultrapassará 1% do total.
Dados mais recentes (2007/2008) revelam que a diferença no número de médicos brancos em relação a médicos negros é tão grande que precisaríamos de 25 anos sem a ingressão de brancos nesse curso para que se conseguisse alcançar uma proporcionalidade.

Os números acima são dados de uma guerra desigual e covarde promovida pelo Estado brasileiro contra as populações afro-descendentes e negras, com o intuito de preservar a elite branca e brancóide deste país. É necessário corrigir a postura, entender que nós não ESTAMOS AQUI TRAVESTIDOS DE MONSTROS, com o único propósito de assombrar as elites e suas criancinhas indefesas, que nossos direitos são tão legítimos quanto o de qualquer etnia existente no Brasil.

A ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo.


Até a vitória e força sempre


Claudio Reis é fundador da PCE e atual
Ministro de Pesquisa Dados e Estatísticas da PCE

quarta-feira, abril 22

CONSEG - CARTA DA CONFERÊNCIA LIVRE DE LAURO DE FREITAS


A Conferência Livre, realizada na cidade de Lauro de Freitas no último dia 20 de abril, teve como pauta de discussão o modelo posto de Segurança Pública. Um coletivo de organizações negras que atua nos mais variados seguimentos da sociedade, com seu potencial reivindicador, exaltou o CONTRADITÓRIO no processo de construção e base ideológica da 1° Conferência Nacional de Segurança Pública (CONSEG).

A Conferência Livre, construída pela sociedade civil organizada, rejeitou a configuração da CONSEG. Representantes dos poderes: executivo, legislativo e judiciário além de policiais civis e militares que participaram da Conferencia ficaram incumbidos de apresentar as propostas para seus superiores.

Os documentos extraídos da Conferência Livre apontam que a formatação da CONSEG é excludente. Os eixos de discussão apresentados, não foram democraticamente discutidos com a base da sociedade. As pautas que mais interessam ser discutidas pela juventude negra, por exemplo, não constam no programa, que por sua vez, já veio taticamente montado por especialistas que representam os interesses da elite racista brasileira.

O quociente representativo apresentado pela CONSEG reflete nitidamente qual é a lógica que a elite brasileira determina e o governo covardemente se esforça para executar. Todos nós sabemos que a política de segurança patrimonial sempre esteve acima da segurança das pessoas. Primeiro o estado defende o patrimônio dos poderosos para depois se pensar na defesa da vida. É essa a ordem. A mesma ordem expressa na Bandeira Nacional. Por isso que estrategicamente os técnicos governistas definiram que 60% do poder de decisão da CONSEG ficará sobre a tutela da elite e das forças que promovem a sua segurança.

Os outros 40% será divido por ONGs “sangue-sugas” que nunca reconheceram o problema da segurança pública, nunca admitiram o racismo e o extermínio, mas agora querem atuar como vedetes promotoras de projetos fictícios que não trazem resposta a sociedade. Enquanto isso fica vetada a nossa capacidade de ampliar o debate.

A Conferência de Segurança Pública é uma verdadeira fraude, irrigada por forças políticas que historicamente combateram esse mesmo modelo de irracionalidade, autoritarismo contido nas políticas de segurança pública.

Um dos principais objetivos da CONSEG é a legitimação convencionada do Programa de Segurança com Cidadania (PRONASCI). Um programa que derramará o dinheiro público no bolso das grandes construtoras que não economizarão na construção de novos presídios. O dinheiro público será gasto na aquisição de armas de grosso calibre, vendidas a preços superfaturados. Os empresários fabricantes de cadeados, correntes e algemas estão loucos para que o PRONASCI seja logo executado. As montadoras de automóveis estão esperando ansiosas as aquisições de novas viaturas.

A CONSEG quer nos fazer debater a atuação da polícia na comunidade, mas não abre o debate para que questionemos sobre os critérios que a polícia utiliza para eleger seus Coronéis e a sua alta patente.

A nós cidadãos brasileiros/as, pessoas que vivem diariamente o peso da violência urbana, resta apenas o debate restrito sobre ações da polícia frente aos bandidos que assaltam o mercadinho da esquina ou ao traficante que vende balinhas de maconha na boca de fumo ali do lado.

É por esse e outros inúmeros motivos que elencamos na CONFERÊNCIA LIVRE de Lauro de Freitas propostas que julgamos precisas neste primeiro momento, tais como:

1- Realização de Conferência Paralela que dignifique o debate de Segurança Pública
2- Adiar a realização da 1° Conferência Nacional de Segurança Pública (CONSEG).
3- Modificar a formatação da CONSEG.
4- Revisar os textos bases da CONSEG.
5- Modificar os eixos temáticos elaborados para a CONSEG.

POSSE DE CONSCIENTIZAÇÃO E EXPRESSÃO
ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES E AMIGOS DE PRISIONEIROS
FÓRUM BAIANO DE JUVENTUDE NEGRA
MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO
CAMPANHA REAJA
REDE AIYE HIP HOP

Por uma verdadeira conferência participativa e democrática!