
O aumento no registro de ocorrências que envolvem racismo precisa ser visto como um sinal, um prenuncio de que poderemos viver momentos de caos num futuro não tão distante.
Em conversa com o babalorixá Vilson Caetano, líder o Ilê Oba L'Okê, comunidade de candomblé situada no Jockey Club, ficou evidente que todos os limites de diálogo e do bom senso já foram esgotados. “Eu estou pronto para as vias de fato”. Com essas palavras o babalorixá afirma que não aceita mais esperar a lentidão do Estado para resolver a perseguição que ele e sua comunidade sofrem, praticada pelo vizinho que não aceita a existência de uma casa de candomblé na rua aonde reside.
ENTENDA O CASO
O problema entre a sociedade religiosa e o vizinho já acontece á dois anos. Tudo começou quando a comunidade resolveu fazer a fachada da casa. Segundo Vilson, o referido vizinho questionou a realização da obra e justificou em bases racistas e sem tolerância religiosa, afirmando que numa localidade como aquela, uma casa de candomblé desvalorizaria os imóveis.
Há um longo histórico de denuncias de ambas as partes a órgãos municipais, estaduais e até no Ministério Público. Recentemente o babalorixá registrou queixa na 23ª delegacia e o acusado deve se apresentar ainda essa semana. Entidades do movimento negro e direitos humanos apoiam o babalorixá e o aconselham a prosseguir em sua luta pela livre expressão da fé e liberdade religiosa.
ÓDIO RELIGIOSO
Os mais duradouros e violentos conflitos da humanidade tem o ódio religioso como matriz. Não dispensar atenção e o cuidado necessário para casos como o de Pai Vilson Caetano, é preparar o terreno para que esse terrível sentimento ganhe cada vez mais espaço em nossa sociedade, que pode nos levar a uma guerra civil. A Irlanda e o conflito na Palestina não nos deixa dúvidas de que se não agirmos imediatamente, viveremos dias difíceis amanhã.
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