domingo, dezembro 20

Lauro de Freiras, O estado submetido a "fé" (1)

O que era pra ser configurado apenas como um caso de cancelamento de um evento juvenil, justificado pela falta de autorização do poder público, se transformou num alarmante e preocupante episódio de tráfico de influencia e peculato.

A fato ocorreu na tarde de domingo, 20 de dezembro, quando jovens de uma academia de musculação que funciona no Shopping Litoral Norte, produziam uma atividade de confraternização no estacionamento do shopping. O espaço havia sido liberado pela coordenação do shopping.

No mesmo estacionamento funciona uma seita evangélica intitulada “Nova Esperança”. O pastor da seita, ao perceber a movimentação dos jovens e a montagem da estrutura do evento, logo se posicionou contra e disse em alto e bom tom que o vento não aconteceria.

Após algumas horas, técnicos da prefeitura municipal, acompanhados de uma viatura da Polícia Militar compareceram ao local do evento e deram a ordem para que som fosse desligado e atividade cancelada. Alguns ingressos já haviam sido vendidos e um público de 40 pessoas aguardavam para entrar no espaço onde aconteceria a atividade.

Com justificativas vazias e sem amparo legal da lei, os servidores insistiam para que a produção do evento desligasse o som. Um deles chegou a dizer que a própria prefeita Moema Gramacho, teria ligado pro seu celular ordenando o fim da atividade.
Os técnicos da Secretaria de Serviços Públicos alegavam que os organizadores do evento não tinham autorização da SEPLANTUR pra realização do evento. Mas segundo advogados, o espaço privado do shopping dispensa tal autorização.

Ao presenciar todo acontecimento, constatamos que houve um perigoso tráfico de influencia envolvendo legisladores e funcionários públicos do auto escalão do município. Fatos curiosos e que carecem de atenção puderam ser observados nesse episódio:

- uma viatura da PM, um instrumento disputadíssimo na 4ª cidade mais violenta dos país, foi providenciada em poucos minutos, e ficou por mais de uma hora parada no local até que o som fosse desligado.

- técnicos da SESP foram encaminhados rapidamente ao local, em pleno domingo à tarde, no dia em que a cidade recebe a visita do governador do estado. Uma eficiência difícil de ver na administração pública. Vele ressaltar que em casos parecidos a visitas desses técnicos chega a demorar mais de 15 dias.

- se verdadeira a informação de um dos técnicos, que afirma que a Prefeita teria ligado pro seu celular ordenando o imediato fim do evento, fica caracterizado que houve um perigoso tráfico de influencia que coloca em risco a democracia.

Segundo informações de dentro do próprio governo, o pastor da seita evangélica teria acionado um vereador, também evangélico, que tratou de utilizar a estrutura pública para garantir o interesse do pastor que também fora seu “cabo eleitoral” e pelo que parece, contou com a participação do auto-escalão do governo municipal.

Ao ser questionada por nossa redação sobre a ação de seus técnicos, a Secretária Vânia Almeida SESP, entrou em contradição, desligou o celular e em seguida negou-se sucessivas vezes a atendê-lo.

Se comprovado o tráfico de influencia nesse episódio, Lauro de Freitas precisa urgentemente de uma intervenção do Ministério Público para que se apure as denúncias e puna os responsáveis, para garantir que as estruturas públicas estejam a disposição do conjunto da sociedade e não de um grupinho de pequenos poderosos que se acostumaram fartar-se das guloseimas do poder.

Ricardo Andrade
Editor

segunda-feira, novembro 30

Sobre a Lavagem do caranguejo 1


Nesse complexo, e talvez duradouro debate sobre a não realização da 26ª Lavagem do Caranguejo, uma posição precisa ser unânime. “houve um prejuízo, pra cultura local”. Esse ponto é inquestionável, ta aberto no entanto, a avaliação e apresentação dos responsáveis.


A queda de braço travada entre a Comissão Organizadora e a Prefeitura Municipal resultou no pior pra cidade. A cultura foi a principal vítima. A Comissão acusa o governo de não valorizar a tradição e através de subterfúgios não justificáveis, como pagamento do 13º salário dos servidores e falta de segurança, tenta explicar o não apoio ao evento.
Do outro lado, o governo municipal se defende dizendo que o apoio para o cortejo estava mantido e que a própria comissão abriu mão desse apoio.


Rebatendo, a Comissão diz que um dia de festa apenas, é desrespeito a população que à 26 anos aprecia três dias de atividade. A comissão cita ainda, a micareta de Portão que foi realizada em sua totalidade e acusa o governo de fazer politicagem com a festa de Itinga.


O governo, por sua vez acusa membros da comissão de querer fazer da festa tradicional um empreendimento comercial com venda de camisas e criação de blocos custeados com o dinheiro público.

segunda-feira, novembro 23

Novembro Negro


O mês da consciência negra em Lauro de Freitas foi marcado por uma série de atividades que conduziu a população a voltar sua atenção para a incansável luta de negros e negras no combate ao racismo.
O projeto intitulado Novembro Negro que se refletiu em todo o país agregou uma extensa agenda contendo seminários, audiências públicas, sessão especial na Câmara de Vereadores, amarração de ojás e caminhadas.

As atividades marcaram uma nova página da luta racial na cidade de Lauro de Freitas. A participação do poder público municipal através da Superintendência de Promoção da Igualdade Racial foi o diferencial na construção da agenda negra na cidade. O Novembro Negro conseguiu não só fomentar e financiar as atividades, como também intensificar a relação entres as organizações negras do município.

Seminário

O seminário Palmares contra o Racismo foi um momento importante que abordou a aprovação do estatuto da promoção da igualdade racial. Um debate bastante rico elencou os pontos positivos e negativos do estatuto e quais as perspectivas futuras pro movimento negro.


Amarração de Ojás

Na madrugada do 20 de novembro, adeptos do candomblé se reuniram em Lauro de Freitas para fazer a amarração de ojás. A atividade faz parte do calendário do novembro negro. As árvores das praças, canteiros e jardins amanheceram amarradas com panos brancos, simbolizando a paz e ao mesmo tempo e disposição do povo de matriz africana em lutar por seus direitos.
Lauro de Freitas é uma cidade onde a incidências de intolerância religiosa acontecem cotidianamente fortalecendo o ódio religioso difundido em templos, escolas e até nos espaços de poder.
Essa ação dos adeptos de candomblé pode ser entendida antes de tudo, como uma proposta real de debate e da necessidade de se dialogar e reeditar conceitos e preconceitos a respeito da religiosidade de matriz africana na cidade. Uma luta coletiva encestral e contemporânea que une moviemnto social e poder público.

Sessão especial
A sessão especial na Câmara de vereadores reuniu personalidades do movimento negro que debateram as relações do movimento com os poderes instituídos. Apesar de Lauro de Freitas está bem a frente de outros municípios do Brasil no que se refere à questão racial, ficou nítido nessa sessão á necessidade de se fazer cada vez mais investimentos na estrutura dos organismos que lidam com a causa, afinal de contas, não é toda cidade que tem sua população formada de 82% negros e negras.
Foi ainda nessa sessão indicada pelo vereador Lula Maciel (PT), que integrantes do movimento negro chamou atenção dos vereadores sobre a necessidade que contemplar a simbologia religiosa de outros seguimentos que não se sentem contemplados com a leitura de um trecho bíblico no início de cada sessão na câmara. Para o MNU todos os outros seguimentos religiosos da cidade precisam ter seus símbolos representados nesse espaço de poder e se a lei que respalda essa representatividade não contemplar a diversidade religiosa presente na cidade será considerada racista.

Caminhada Cor da Cidade

A oitava caminhada a cor da cidade reuniu cerca de 1500 pessoas no bairro de Itinga que caminharam da Terraplac ao Largo do Caranguejo ao som das bandas Zâmbia e Aticun.
No Largo do Caranguejo outros grupos culturais a exemplo de Germano Cruz, Suwing do Abaeté, Filhos do Mar, Família Reggae e Bankoma deram o tom da cultura negra à principal preça de Itinga.
Foi na praça também que Cadinho, neto do senhor Antonio Caranguejo, recebeu em nome do avô, a placa do MNU em reconhecimento a importante contribuição que o mesmo teve frente à preservação da identidade negra no bairro de Itinga.

O novembro negro foi construído por uma Comissão Organizadora formada por membros dos movimentos sociais e poder público. O patrocínio ficou a cargo da SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade – Governo Federal), SEPROME (Secretaria de Promoção da Igualdade – Governo Estadual), SEDES (Secretaria de Desenvolvimento Social – Governo Estadual) e o Governo Municipal).

sexta-feira, novembro 20

Orientação racista

Engana-se profundamente quem pensa que o problema está nesse ou naquele policial. O problema está no comando. A orientação, a formação da polícia precisa ser reeditada. É na concepção que mora o problema.

O racismo ainda orienta a ação da polícia que foi criada para manter os negros em sua posição de submissão. Veja matéria completa na próxima terça feira nesse blog.


terça-feira, novembro 10

Dossiê apresentado pela Campnha Reaja a ONU


Aqui estamos! Para além de um simples expediente dramático. Temos a oportunidade de colocar o Estado Brasileiro frente a frente com seus crimes. Temos aqui a oportunidade histórica de subverter a lógica da ordem sócio-racial que nos faz maioria em ruas, favelas e instituições carcerárias deste país.
Mas o que vamos fazer? Queremos apontar as nossas críticas e nossa perspectiva já de início, para não deixar passar despercebido que o sistema, o projeto de Estado Brasileiro se apresenta para nós como uma engrenagem que é movida a sangue.


Representamos aqui a maioria do povo baiano e, como povo, viemos neste dia provar através de alguns casos emblemáticos ocorridos na Bahia os diversos crimes contra a população negra. Entretanto, é importante ressaltar que nossa escolha em trazer esses casos emblemáticos não exaure a lista de crimes praticados contra nós. Então, nossa escolha traz uma delimitação e com ela uma limitação que entendemos ser necessária para aproximar a Organização das Nações Unidas (ONU) da realidade baiana.


O Estado Brasileiro, ao longo de mais de 500 anos de história, consolidou e reiterou suas práticas racistas, seletivas, patrimonialistas, criminalizadoras das pessoas negras e pobres criando um sistema que hoje se reproduz automaticamente por meio dos atores que tem chegado ao seu governo e operado sua máquina burocrático-administrativa.
O processo de criminalização tem obedecido à uma lógica de seletividade. Incriminar apenas aqueles que causam perigo para o sistema se autonutrir. Autonutrir de quê? Da fome, da pobreza, do desemprego, que representa tirar da boca de muitos para sobrar no lixo de poucos.

Nós queremos nos apresentar!


Num momento político importante para Negros e Negras neste país e diante da sociedade, queremos dizer nossos propósitos para que não haja confusão a nos misturar numa caravana de Direitos Humanos que tem sido omissa e criminosamente silenciosa diante da morte de nosso povo.

Somos a Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas do Estado da Bahia- ASFAP/Ba e representamos bairros, comunidades e coletivos que de fato impulsionam a Campanha Reaja ou será Morta Reaja ou Será Morto. Representamos aqui a voz de familiares de vítimas do Estado Brasileiro que foram impedidos de entrar nesta reunião por conta de um protocolo que não pode dar conta de toda nossa demanda.

Nossa articulação é nacional e internacional contra o racismo e o genocídio da população negra. Manifestamos nosso repúdio ao atual modelo de segurança pública e ao sistema de justiça criminal que tem se utilizado do confronto e de um alto grau de letalidade contra comunidades negras no Brasil de um modo geral e na Bahia de forma particular sem a devida repercussão de nossa tragédia coletiva.

Sabemos que os métodos empregados contra nós pelo Estado são oriundos de treinos e aperfeiçoamentos no Haiti, país negro, independente e livre que está sob ocupação de tropas supostamente humanitárias, coordenadas pelo Brasil a serviço da ONU. Lá, como aqui, as comunidades sócio-racialmente apartadas são vítimas de uma guerra de alta intensidade comprovados por dados assustadores que ultrapassam as baixas de territórios como Palestina e Iraque, por exemplo. Concentramos a atenção deste relatório em Salvador e região metropolitana com casos que podem revelar o caráter fascista de nosso sistema de justiça e a apatia das organizações de Direitos Humanos que captam vultosos recursos nacionais e internacionais para se manterem omissas quando tinham a obrigação moral de falarem algo sobre o massacre em curso.

A população negra na Bahia está sendo eliminada, seletivamente encarcerada para alimentar a indústria das prisões com seu modelo pautado na política empreendida nos Estados Unidos. As potencialidades, futuros e sonhos de nossa juventude estão sendo destruídas na fase mais produtiva o que caracteriza genocídio e não o eufemismo de extermínio para impedir que nos consideremos um povo num território violento.

A ONU tem uma grande responsabilidade, já que instituições públicas baianas encarregadas de zelar por nossos direitos coletivos prevaricam, e na maioria das vezes seguem somando esforços com os tiranos deste país.Somos alvo de um policiamento violento, repressivo, e inundado de corrupção. Somos de maioria negra e a cor de nossa pele é uma marca que nos identifica para o abate.


Podemos morrer com base em uma simples suspeita. Vivemos como em guetos criados por nazistas.O fato é que nosso direito de usufruir de paz, conforto e segurança é violado principalmente pelo Estado com suas forças repressivas em postos para nos controlar e eliminar. As autoridades políticas e os gestores da segurança pública tem que ser responsabilizados pelas ações de seus subalternos, seus discursos públicos de apologia ao confronto, a vingança e ao massacre como saída para a criminalidade tem elevado a pontos críticos a situação de guerra.Eles utilizam indiscriminadamente o artifício do “auto de resistência” em toda situação de confronto com supostos criminosos e a cena do crime é sempre “limpa” com falso socorro aos traficantes que são apresentados pela imprensa abatidos e com a tarja da impunidade:“ TINHA PASSAGEM”


Exemplar neste ponto é o Delegado Cezar Nunes, Secretário de Segurança Pública que imprimiu a lógica do confronto, a intimidação, a violação de direitos com declarações como: “Não sou secretário de segurança, sou secretário de policia”; “se tem que tombar que tombe para o lado de lá”O que vemos em nossa peregrinação ao Instituto Médico Legal (IML) e aos Hospitais com as mães das vítimas é tombarem jovens, negros entre 14 e 25 anos pobres, desarmados indefesos contra policiais fortemente armados e com o ódio alimentado pela cultura do medo veiculada pelos meios de comunicação e retroalimentado pelo secretário de segurança.


Entendemos que ele deveria pedir demissão (como exigimos) como primeira medida deste governo em querer assumir uma segurança pública responsável, democrática e baseada em direitos humanos.Por fim, recusamos os supostos avanços apresentados por programas como o PRONACI(Programa de Segurança Pública com Cidadania) que investi muito dinheiro em algemas, armas e cadeias e apresenta recursos vultosos para abastecer ONGs e OCIPS durante alguns meses, com palestras e cursinhos em nossas comunidades ansiosas por obras estruturantes, política séria de Cultura, ações reais em saúde.Sim, estamos aqui para além de qualquer coisa por que falamos por nós mesmos, sem máscaras, sem medo ...e com muita dor pela perda de vidas.



Mais de 2500 pessoas mortas no período 2007/2008 (dados da SSP/BA,2008). Esta é uma realidade que entendemos que não pode ser resolvida com curso de Direitos Humanos, Cultura da Paz e / ou prevenção a DST em nossos bairros como se fossemos os culpados por nossa desgraça. Apenas uma mudança na política e uma ação dos órgãos internacionais podem fazer parar a matança assim como nossa luta cotidiana.

sábado, outubro 31

Na prática. ASFAP e Campanha Reaja desenvolvem ação no Módulo 5 da Penitenciária Lemos Brito





Foi um momento emocionante a presença dos internos da Penitenciária Lemos Brito (PLB), Salvador/Bahia, durante atividade que buscou o despertar da cidadania e a discussão sobre os direitos de presas e presos assegurados pela Constituição Federal. Marca um momento importante que reafirma a relevância do movimento social na efetivação das ações do sistema de saúde brasileiro, mais especificamente das ações que dizem respeito a saúde da população negra no país.


“Só o direito de ir e vir está cerceado, os demais direitos como educação, saúde, lazer, informação e entretenimento estão assegurados pela carta magna desse país, e nós não nos desviaremos um milímetro se quer na luta para que esses direitos nos sejam assegurados.” (Hamilton Borges,2009)



Com esta fala o coordenador da Quilombo X – Ação Cultural Comunitária abriu na tarde de 27 de outubro um bate papo com os cerca de 500 internos do Módulo 5 da PLB, em atividade do Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Coordenado pela Dra. Andreia Beatriz Silva dos Santos, médica do Programa de Saúde Penitenciária responsável pelas ações de promoção de saúde, prevenção e tratamento de agravos naquele módulo, o tema central da discussão foi o significado político de saúde no espaço prisional, que agrega em sua maioria negras e negros jovens.


De acordo com a médica, “a saúde é um direito garantido por lei e tem que ser compreendida e exercida para além do adoecimento e da medicalização. Neste espaço é importante reconhecer raça, racismo e racismo institucional como condicionantes do processo saúde-adoecimento se torna imprescindível no contexto do SUS (Sistema Único de Saúde) e está em consonância com a Política de Saúde Integral da População Negra, conquista do movimento social negro”.



A atividade teve ainda a participação do advogado e professor de Direito da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) Clóves Araújo que durante a sua fala reforçou a importância de ações intramuros no sentido de resgate da cidadania. Contou também com a presença de Ricardo Andrade, integrante da Associação de Familiares e Amigos de Presas e Presos do Estado da Bahia(ASFAP/Bahia), que ressaltou que a saúde intramuros reflete diretamente na sociedade e que é possível perceber o aumento significativo de mulheres nos postos de saúde com a pressão alta quando a situação nos presídios é tensa. A atividade foi encerrada com um rap cantado por um dos internos, versando sobre o significado de ser negro neste país e mais especificamente no espaço prisional.

Andréia Beatriz
Ricardo Andrade

segunda-feira, outubro 26

A sombra da árvore do crime


Uma árvore nasceu bem no meio no meio de uma comunidade. No início ninguém se importou muito, pois a árvore não incomodava. Com o passar do tempo, a árvore cresceu e seus galhos começaram a fazer uma sombra enorme sobre as casas. As pessoas queriam tomar um banho de sol ou secar suas roupas no varal e não conseguiam por causa da sombra.


A comunidade começou a reclamar. No ônibus, no mercado, no salão, nos bares e clubes só se falava da maldita sombra que perturbava a todos. Alguns grupos organizados passaram a cobrar das autoridades uma providencia, até que a situação se tornou insustentável. Passou até na televisão.


Finalmente, houve uma reunião e as autoridades decidiram enviar uma equipe para acabar com o problema. Essa equipe munida de tesouras enormes, começou a cortar os gravetos que estavam mais salientes, aqueles galhos mais finos que ficavam na parte mais externa da árvore. Não demorou muito e o “problema estava resolvido” O sol agora brilhava sobre os telhados das casas e o povo estava feliz, ninguém mais pensava na árvore. Até que em outra primavera novos gravetos cresceram e a sombra voltou a aterrorizar a sociedade.


É exatamente dessa forma que nossa sociedade combate o crime, a violência e a insegurança. A árvore do crime está bem no meio da sociedade, suas raízes são profundas e seus tentáculos estão instalados nos poderes executivo, legislativo e no judiciário. Está na polícia, nas organizações sociais e nas entidades religiosas.
O tronco dessa árvore é rico em corrupção, sonegação, estelionato, tortura e hipocrisia.


Quando a situação se torna crítica e a comunidade exige uma postura das autoridades, a polícia é enviada com seus fuzis para furar o crânio daqueles negrinhos que ficam vendendo sua balinha de maconha nas esquinas das ruas (os gravetos). Enquanto isso, ss galhos mais grossos protegem o caule. A hipocrisia somada a corrupção, impedem que a raiz da planta seja atingida. O pior disso tudo é que nós, comunidade ficamos felizes quando os exterminadores se apresentam com seu arsenal da morte. Somos incapazes de perceber que eles fazem parte do tronco e jamais irão combater a raiz do problema.


No final, muitas famílias chorarão seus óbitos, outras festejarão a falsa sensação de paz, enquanto novos pivetes são alimentados e fortalecidos com o próprio fruto da maldita árvore.

quarta-feira, setembro 30

Seminário Acredito no Orixá


A Coordenação Lauro de Freitas da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (FENACAB) realizará no próximo dia 09 de outubro a quinta edição do "Seminário Acredito no Orixá". O tema desse ano será: "Tradição, Hierarquia e Ética, os alicerces de nossa religião"


O seminário acontecerá no centro de referencia da Cultura Afro-Brasileira, no terminal turístico de Portão. A organização do evento pretende reunir um público religioso, além de simpatizantes da religião.


Para Jadilson Lopez, coordenador da Fenacab-Lauro de Freitas, o seminário é uma importante ferramenta para que o povo de santo possa debater e apontar os rumos da religião e sua relação com a sociedade e o meio ambiente.

Confira programação

08h - INSCRIÇÃO E ENTREGA DE MATERIAL

09h - MESA DE ABERTURA (COLABORADORES E PODER PUBLICO )

10h - MESA 1 TRADIÇÃO ,ETIÇA E MODERNI DADE.

11h - MESA 2 0GÃS E EKEDES – INICIADOS OU CONFIRMADOS?

12h - ALMOÇO

14h - TRADIÇÃO BANTU – TRADIÇÃO KETU

15h - ATO RELIGIOSO

16h - SHOW ARTISTICO

17h - ENCERRAMENTO COM O COQUETEL


ATIVIDADES PARALELAS - FEIRA DE ARTESANATO E PRODUTOS RELIGIOSOS


INSCRIÇÕES ANTECIPADAS NA SEDE
CONTATO: 88766832 – 87098138 – 88119527
E – MAIL : fenacablauro@yahoo.com.brjadilsondeogunja@hotmail.com

quarta-feira, setembro 23

GOG na Boca de Filme


O projeto Boca de Filme recebe no próximo dia 26 a visita de GOG, um dos mais respeitados e adimirados artistas do hip hop brasileiro. Nessa edição especial do Boca de Fime será exibido trechos do DVD Cartão Postal Bomba e é o próprio GOG que fará um show para abrilhantar a festa.

A comunidade de Itinga, é claro, agradece e espera com expectativa o grando encontro com o poeta maior.

terça-feira, setembro 15

Do que riem as hienas?

Foi grotesco, ver deputados e senadores da base governista, do PT, PCdoB e do PV, se confraternizando com parlamentares do DEM, e do PSDB, e comemorando a aprovação do malfadado Estatuto da igualdade racial, tudo em nome da “unanimidade”.


A base do governo, e os partidos de esquerda não lutaram. Capitularam ás exigências do DEM/PSDB, anunciadas em maio, e negociadas com os mesmos pelo ministro da igualdade racial.


O que comemoravam? A traição estava anunciada desde maio. ENTREGARAM O OURO PRO BANDIDO. BOTARAM A RAPOSA PARA TOMAR CONTA DO GALINHEIRO. VENDERAM NOSSAS ALMAS, COMO NOVOS ESCRAVISTAS DA CONSCIENCIA E DA DIGNIDADE DE PRETAS E PRETOS DESTE PAÍS. ATÉ ONDE ESSES OS LAMBE BOTAS DO PT E DO GOVERNO PODEM CHEGAR? O MNU JÁ SABIA!!!!!!! !!

A rede globo, todos os canais de televisão, os jornalões (globo, folha de SP, e Estadão) anunciaram, a manchete, comemorando com grande estardalhaço, “O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL FOI APROVADO”. E davam destaque em todo o resto da matéria, para os pontos barrados por conluio do DEM/PSDB/PV/ PT/PCdoB. Que interesses reuniriam e fariam comemorar efusivamente ministros e deputados de tais legendas, senão a Traição e a derrota do Povo Negro?


A CONEN, a UNEGRO, o CNAB, o CEN e o Circulo Palmarino, devem estar comemorando também, esta tragédia anunciada e denunciada pelo MNU a meses. Resta saber das demais entidades da Comissão executiva do Conneb, como se posicionam? Todos se encontram em silencio sepulcral.


Vale lembrar que a aprovação das Cotas na Câmara em 20 novembro, anunciadas também com muito barulho, continuam nas gavetas do Senado, 10 meses depois, esperando melhor momento para ser derrotada. De certo, o governo, o PT, a Conen e a Unegro (Á propósito, mais quietas ainda. Porque não comemoram agora?), pretendem cantar de galo em novembro, anunciando esta derrota criminosa, perpetrada por seus próceres, contra negros e negras deste país, como seu grande feito?


Nas Assembléias preparatórias para o Conneb em Porto Alegre, preventivamente, tentaram impingir ao MNU, a responsabilidade por uma eventual derrota do “Estatuto”. O MNU sempre assumiu a responsabilidade de seus atos, qualquer que seja a extensão da repercussão dos fatos. Escrevemos e assinamos em baixo das nossas posições. Tentavam nos relacionar com a posição do DEM e do PSDB, de sermos contrários ao PL do Estatuto, e porque denunciávamos seus apoios as manobras do governo e lacunas no projeto, contrarias aos interesses dos negros.


Dizíamos então, que a historia nos daria razão. Não foram precisos mais de mais de 04 meses, para que nossas denuncias fossem confirmadas. Quem manobrava com o DEM/PSDB, nós ou eles? Quem arquitetou a derrota do nosso povo com o açodamento em votar “qualquer estatuto” a toque de caixa, o MNU ou a CONEN/Unegro ?


A Coordenadora Nacional do MNU, participou de duas reuniões em Brasília, a convite do deputado Luiz Alberto, para negociar os pontos em questão. Na primeira reunião não apoiou qualquer acordo com o DEM e os ruralistas, e foi adiada a votação. Na segunda, novamente não houve acordo a respeito da retirada dos pontos exigidos pelo DEM/PSDB, e novamente foi adiada a votação na Comissão. Depois deste fato, nossa Coordenadora a Vanda Pinedo, consultou seus pares membros da coordenação nacional, se deveria ou não, ir a terceira reunião convocada. Decidimos que já havíamos dado a nossa contribuição e explicitado nossas posições. Que não participaríamos mais. Nesta reunião foi aprovado o projeto do acórdão eleitoreiro.


O diabo é que a calunia e a mentira, é sempre seguida de mais do mesmo. A falsidade e a falta de ética. Não querendo sustentar sozinhos, o acordo da traição de negras e negros, nossos desafetos agora, tentam-nos co-responsabilizar com a sua posição, e a decisão dos seus deputados. Nenhum deputado federal de qualquer partido, ou estado, representa a posição do XVI Congresso e da CON - Coordenação Nacional do MNU.


Mantemos nossa posição pela retirada do estatuto do Congresso, e reabertura de discussão do mesmo. Em 2010, talvez possamos eleger uma grande bancada, com deputados comprometidos com o povo negro, e aprova-lo com todos os requisitos e direitos reivindicados por nosso povo. Se os negros brasileiros decidirem optar por um estatuto, este deverá conter um novo texto sobre a caracterização do racismo; a defesa da vida de nossos jovens; a punição com demissão e cadeia para os agressores e assassinos de negros; a indenização, pelo estado, das famílias, pelo crime sofrido; deverá versar sobre a garantia de pleno emprego e uma moradia decente para negros e pobres; defesa explicita das cotas raciais nas universidades, trabalho, TV, e nos partidos; conter a defesa e a titulação das terras quilombolas e indígenas; garantia da laicidade do estado e da educação e criminalização dos perseguidores da religião de matriz africana; Um projeto que seja IMPOSITIVO e que preveja verba para a implementação das políticas de Igualdade Racial.

Hienas! Sorriam agora, enquanto nosso povo avalia o tamanho do estrago e da traição! Depois, estejam certos, a reação de negras e negros, os farão chorar, enterrando seus cargos, prestígios, dinheiro e mandatos! Reginaldo Bispo-Coordenador Nacional de Organização do MNU

sexta-feira, setembro 11

20 de novembro é feriado em Lauro de Freitas

Ontem na sessão ordinária realizada pela Câmara Municipal, os vereadores promulgaram a lei que transforma o dia 20 de novembro em feriado na cidade de Lauro de Freitas.

O vereador autor da lei, Lula Maciel, costurou a promulgação junto aos vereadores e movimentos sociais organizados da cidade, e já planejam uma atividade para comemorar esse importante símbolo para os negros e negras de Lauro de freitas.

A Superintendencia de Promoção da Igualdade Racial (SUPPIR) realizou uma audiência pública que contou com a presença de parlamentares, movimento social e governo, onde os pontos mais polêmicos da proposta foram debatidos e ajustados.

quinta-feira, agosto 27

Estado de Guerra


É caótica a situação da segurança pública na cidade de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. O número de homicídios que diuturnamente se repetem nos bolsões de miséria existentes no município nos dá uma idéia do estado de guerra em que vivemos.


As políticas de “segurança patrimonial” implementadas pelo governo são incapazes de conter a violência. A mais visível delas é o aparato policial que costumas produzir mais e mais óbitos no exercício de sua função.


As cadeias super lotadas nos dão uma dimensão que de o projeto de segurança é falido. Os processos de investigação da policia recheados de rituais de tortura, dissemina o ódio e arrancam confissões aleivosas.


A lentidão do judiciário municipal engaveta processos por meses e meses, enquanto suspeitos esperam ser ouvidos pela justiça nas delegacias e complexos penitenciários. As áreas de maior risco e de concentração de violência, são justamente aquelas onde as políticas não chegam de forma efetiva.


Enquanto a cidade de concreto sobe em direção ao céu, faltam quadras de esportes e centros de cultura e lazer nas periferias. O governo CONSEG construir uma delegacia no bairro de Portão, mas é incapaz de reformar o Centro Social Urbano que fica no mesmo bairro.


Na mesma linha ideológica segue o exemplo de Areia Branca, onde uma delegacia já se encontra em vias a construção enquanto um toco de árvore no meio do campo impede que jovens crianças e adolescentes “peguem o baba” do final de tarde na comunidade do Jambeiro. O info-centro dessa localidade está desativado e o governo municipal ainda não apresentou à comunidade o balanço de onde foi gasto o dinheiro do PRONASCI.


O bairro de Portão está sitiado. O medo é imposto por traficantes e pela polícia. Se o valor gasto nessas operações vingança da polícia fosse transformado em recursos para atividades culturais naquela região, o resultado da política seria bem melhor. Só o dinheiro que é gasto com combustível pra manter o helicóptero da PM sobrevoando o céu de Portão, daria pra promover festivais de cultura e entretenimento no bairro.


Mas a lógica é outra. É preciso matar. Se não tiver corpo no chão, a ação não é bem sucedida. Essa é a matriz da atual política de segurança do Estado.


Posse PCE
Movimento Negro Unificado
Campanha Reaja ou Será Mort@

segunda-feira, agosto 17

Sobre a nota de Moema


Olá caros leitores, após um período de silencio em virtude da nossa participação na construção do ENPOSP (Encontro Popular Pela Vida e por um outro modelo de Segurança Pública), que inclusive foi um secesso, retornamos ao cenário político municipal e já somos recepcionados com mais essa crise institucional envolvendo o governo de Moema e Wagner.


Recebi o e-mail do secretário municipal de governo com a nota à imprensa assinada pela prefeita Moema Gramacho questionando o caráter do Deputado Federal João Leão, futuro secretário estadual de Infra-estrutura do Governo do Estado.

As provocações e insinuações que Moema faz em sua nota são relevantes e carecem da atenção dos leitores. Quem lê a nota da prefeita, encontra verdades impressas em seu texto. Mas o tiro dado pela prefeita de Lauro de Freitas atinge também o seu próprio pé.

Existem realidades que precisam ser levadas em conta. Se Roberto Muniz e Leão foram mentirosos em seus decursos de campanha quanto ao projeto petista, como afirma a prefeita, Moema também mentiu sobre a capacidade administrativa dos referidos.

Vocês ao de convir que o governador, dado a experiência que tem, não nomearia dois incompetentes para administrar pastar tão importantes de seu governo. Sendo assim, fica explicitado que as campanhas políticas são recheadas de mentiras. Mentiras de todos os lados. Wagner comprovou que Leão e Roberto mentiram quando disseram que o projeto petista era fracassado, ao mesmo tempo em que desmente sua correligionária, quando atesta a competência do seu novo secretário.

quinta-feira, junho 18

O CONSELHO DE JUVENTUDE E A INVERSÃO DE PRIORIDADE


Sinceramente não entendo a postura de alguns. Qual a real relação que a Petrobrás tem com a juventude do estado da Bahia?

Sei que é uma empresa milionárias de vultuosos lucros e que interessa a muita gente. Mas não consigo entender essa INVERSÃO DE PRIORIDADE.

Não sei qual a real intenção de quem propõe a mobilização da "juventude" em prol da Petrobrás, em detrimento a dezenas de atentados a vida de jovens baianos, que cotidianamente são executados por essa política racista do governo do estado.

Não vi esse CONSELHO se manifestar nem mobilizar a juventude contra tais violências. No entanto, sou agressivamente convidado a sair de minha casa pra engrossar o caldo numa manifestação a favor de uma empresa que está sob investigação. Deixa rolar a CPI porra, "quem não deve não teme". (A polícia da Bahia diz muito isso).

Na moral galera...... SER CARA DE PAU É UMA COISA, MAS SER DESCARADO É O FIM DA PICADA


SUGIRO QUE O FÓRUM BAIANO DE JUVENTUDE NEGRA, COLOQUE ESSA MESA DIRETORA "INSTITUCIONALIZADA" NA PAREDE PRA SEBAER COLÉMERMO DESSA PATIFARIA.


O SANGUE DERRAMADO LÁ EM CANABRAVA NEM COAGULOU AINDA? PORQUE NÃO PENSAMOS NUMA MANIFESTAÇÃO LÁ. ISSO NÃO INTERESSA NÉ? NÃO TEM DINHEIRO PRA BANCAR CAMPANHAS ENVOLVIDO NÉ?

Aí juventude negra..... bora se ligar. Não podemos decepcionar nossa ancestralidade. ESTAMOS EM GUERRA PELA NOSSA SOBREVIVENCIA.


Ricardo Andrade

Ministro de Comunicação e relações institucionais da PCE
Movimento Negro Unificado

Associação de Familiares e Amigos de Prisioneiros



sábado, junho 6

Boca de Filme reúne mais de 70 crianças em Itinga


Aconteceu ontem, sexta feira, a 1ª edição do projeto Boca de Filme, que reuniu cerca de 70 crianças no Espaço Big Brother, no loteamento Jardim Metrópole em Itinga. O filme exibido foi “Kiriku e a Feiticeira”, que tomou a atenção de crianças, adolescentes e adultos que compareceram à mostra.

A PCE, Posse de Conscientização e Expressão, idealizadora e executora do projeto diz que a expectativa foi superada, “nossa intenção era reunir 50 crianças nessa primeira edição, mas vieram mais de 70” afirma Rosana Galo, Ministra de Desenvolvimento Social da PCE.

Além da exibição do vídeo foram distribuídos lanches, pipocas e surpresas para os presentes. Ao final da História de Kiriku, membros da PCE falaram das semelhanças entre o personagem do vídeo e as crianças do Jardim Metrópole.

- Muito de vocês aqui se parecem com Kiriku. Vocês são inteligentes, corajosos e espertos... Vamos fazer que nem Kiriku... Vamos entender quais os causadores de nossos problemas e agir de forma inteligente para resolver essas coisas ruins que acontecem aqui em nossa área. Fala de Gilberto Borges, diretor cultural da PCE em alusão as enchentes, deslizamentos de encosta e a falta de estrutura do bairro.

Na próxima quinta feira, outra sessão será realizada e a expectativa da PCE é reunir 100 pessoas com distribuição de sopão no final.




quarta-feira, junho 3

Uma Boca de Filme foi instalada em Itinga


PROJETO BOCA DE FILME

O projeto Boca de Filme é uma iniciativa da Posse de Conscientizaçã o e Expressão em parceria com a Associação Cultural Big Brother e acontecerá no Loteamento Jardim Metrópole no bairro de Itinga, cidade de Lauro de Freitas.

Boca de Filme surge a partir da necessidade diagnosticada pela Posse PCE de promover entretenimento, consciência política, despertar crítico e aquecimento cultural nesse Loteamento em Itinga.

O Loteamento Jardim Metrópole, situado no coração do bairro de Itinga, bem próximo ao Largo do Caranguejo, a poucos metros do Fazendão (Esporte Clube Bahia) e do Aeroporto Internacional de Salvador, sofre as penas de ser uma região periférica e habitada por gente negra e pobre.

Em pesquisa realizada pela AGÔ CONSULTORIA, os números mostram as debilidades e fragilidades dessa comunidade, que somada a falta de investimento público, faz dessa região uma área de risco.

Segundo a pesquisa, esse loteamento registrou 02 (dois) suicídios, 05 (cinco) homicídios, além de trocas de tiros, dezenas de agressões físicas e verbais e ameaças diversas. A pesquisa indica ainda, um alto índice de consumo de álcool e drogas do tipo: maconha, crack e cocaína entre jovens e adolescentes. Foi registrado também, uma tendência real de organização do crime nessa região, tendo em vista a presença de pontos de vendas de entorpecentes no interior dessa comunidade. A pesquisa aponta ainda, grande quantidade de indivíduos com histórico prisional e famílias com parentes ainda sobre a tutela do estado em presídios e/ou delegacias, fato que as tornam mais vulneráveis.

A polícia é a política pública mais visível nessa região. As abordagens violentas, a corrupção, as agressões a pais e mães de família, as invasões de domicílio sem mandato judicial e o estado de terror e medo, são as principais ferramentas do Estado em funcionamento nessa comunidade. Somado a isso, a falta de investimento em infra-estrutura nessa região, resulta em alagamentos, deslizamentos de encostas e o desenvolvimento de doenças diversas.

É a partir desse diagnóstico que a Posse de Conscientizaçã o e Expressão que tem sede nessa comunidade, fecha parceria coma a Associação Cultural Big Brother e planeja ações conjuntas que visam amenizar e/ou reduzir os danos dessas mazelas que afrontam a cidadania dos moradores desse Loteamento.

Boca de Filme funcionará também como célula estimuladora de produções culturais e divulgação de artistas locais, além da possibilidade de geração de renda para as organizações e grupos da comunidade.

O nome BOCA DE FILME por si só já se apresenta como ferramenta de desconstrução do estigma de que essa comunidade carrega. O Jardim Metrópole é tido como uma grande “boca de fumo” e nós como comunidade organizada sentimos a necessidade de combater esse estigma dizendo que aqui funciona uma Boca de Filme, onde a comunidade se reúne para assistir filmes, documentários e produções independentes. Isso elevará a auto-estima de nossas crianças e adolescentes nas escolas e praças além de provocar uma nova leitura dos currículos que apresentam o nome desse loteamento como endereço residencial.

Boca de Filme reunirá nos fins de semana a comunidade para assistir a documentários, filmes de produção independentes, peças teatrais além de produções audiovisuais produzidas na própria comunidade: documentários, clips de rap, jornais, partidas de futebol etc. Boca de Filme pretende ainda pleitear a liberação para exibir as aulas do Telecurso que serão utilizadas como reforço escolar para alunos de escolas públicas com baixo rendimento escolar.

A parceria com a Associação Big Brother garantirá o espaço físico para realização da atividade e ainda a distribuição de sopão ao final de cada exibição.

Entidades parceiras como MNU, CMA Hip Hop, ASFAP, CDCN, Rede Ayiê Hip Hop, Fórun Bahiano de Juventude Negra, SUPPIR e a Defensoria Pública) ajudarão nas questões técnicas, na seleção dos vídeos e na proposta pedagógica do Projeto.

Ricardo Andrade
Ministro de Comunicação e
relações institucionais
PCE (Posse de Conscientizaçã o e Expressão)
ASFAP (Associação de Familiares e Amigos de Presos)
(71) 8725-2639


SINOPSE

O desenho que será exibido nessa primeira edição conta a história de

Kiriku.

Kiriku é um menino que já falava quando ainda estava na barriga da mãe. Na verdade, foi ele quem escolheu seu próprio nome logo que nasceu. Ele está destinado a libertar uma vila africana de uma feiticeira chamada Karaba, que secou as fontes de água e sequestra os homens do local. Kiriku vai até o sábio da montanha, conhecedor do segredo de Karaba, e em seguida parte para enfrentar a feiticeira.


Essa história faz parte do folclore africano e fala da determinação na luta pela liberdade. Kiriku nasce para ser livre, tanto que quando ainda está na barriga da mãe ele diz: "Mãe, dê a luz a mim!" Segundo o diretor e roteirista, Michel Ocelto, foi também um grande oportunidade para mostrar o povo africano e alguns de seus valores. O roteiro foge do óbvio, ao contrário do que acontece em outras produções do gênero. E conta ainda com boa trilha sonora e personagens cativantes.

A trilha sonora do filme foi feita pelo senegalês Youssou N´Dour, um dos mais famosos músicos africanos, que tornou-se popular pela música 7 seconds


quarta-feira, maio 13

Estamos aqui travestidos de Monstros?


Nos tempos cruéis em que vivemos, quando vemos os valores humanos tradicionais sendo desconsiderados ou invertidos, as instituições sendo arrastadas à podridão moral e ética, a representação política desacreditada por gangues de malfeitores que nela se instalaram, repressão policial preconceituosa e assassina. Percebe-se que o cidadão comum está cada vez mais por sua própria conta. Sem ter a quem recorrer e nem por quem gritar, envolto por cortinas sombrias e atolado em um mar de lama fétido e pútrido de onde luta ferozmente para se libertar.

A segurança pública desenvolvida pelo Estado é totalmente falha e genocida, mata-se depois pergunta: “quem é o morto?”. Caso ele (o morto), não tenha antecedentes, rapidamente se arranja um. Ele já tem tudo que precisa para ser um “criminoso”. Ele é preto e também é pobre!

Jovens negros são assassinados de forma cruel, sem nenhuma chance de defesa, revelando números que deixariam assustada a maior das guerras. O número alarmante de execuções por parte da polícia por motivos de “resistência” (94 óbitos de janeiro a abril de 2009) são verdadeiramente estarrecedores e duvidosos. O braço armado do Estado desenvolve um papel altamente preconceituoso, reproduzindo de forma intensa às ações racistas de uma sociedade branca e elitista que combate e coisifica o negro no Brasil, negando-lhe princípios básicos, e o que é pior: nunca admitindo o racismo exacerbado praticado em todos os âmbitos do poder que segregam e excluem a população negra..

De forma paradoxal, ao pensamento elitista que pensa estar tratando com pessoas que não tem outra serventia que não seja: roubar, matar, e consequentemente ser morto. O que se vê na verdade, são pessoas honestas que são assassinadas por um sistema facínora e dicotômico que nega aos negros tudo aquilo que é dado ao branco sem nenhum tipo de interpelação.

Não são admissíveis as diferenças existentes entre estas etnias no Brasil hoje, de um lado: você tem as disparidades salariais entre negros e brancos, a presença nas universidades, os números do sistema carcerário e outros.

Em tempos de PRONASCI, se dizer que: “incluir o preconceito racial nas discussões” acaba por desviar o foco das Conferências de Segurança Pública e privilegiaria uma “raça” em detrimento da outra, revela no mínimo uma ética enviesada e realmente discriminatória. Faz-se urgente a inclusão desse eixo temático na discussão do CONSEG (Conselho de Segurança) para que se possa repensar um novo modelo de segurança para o Brasil.

Jovem, negro, sexo masculino, com baixa escolaridade, morador de comunidades populares. Este é o perfil da maioria das vítimas de violência no país, segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais 2007-2008. De acordo com a pesquisa, no período entre 1999 a 2005, cerca de 15,5 mil brancos foram assassinados. Entre os negros, no mesmo período, foram registrados 27,5 mil homicídios, ou seja morrem 3,33 pessoas negras e pardas por hora no país.Os índices de violência contra a mulher em Salvador são também crescentes e alarmantes.

Segundo a Pnad/2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres representam 52,4% da população da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Dentre estas, aproximadamente 81,9% são negras e pardas.
Em 2007, foram registradas 8.875 ocorrências policiais na Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher), relativas a crimes praticados contra mulheres, abrangendo desde ameaças até lesões corporais, espancamentos, estupros. Em 2008, foram 7.520 registros.

Segundo Dados de uma pesquisa de 2003, da Universidade de Brasília (UnB), mostram que o percentual de alunos e docentes negros nas universidades públicas brasileiras gira em torno de 0,5%. Mantidas as condições sociais de hoje para os próximos 170 anos indica que esse índice não ultrapassará 1% do total.
Dados mais recentes (2007/2008) revelam que a diferença no número de médicos brancos em relação a médicos negros é tão grande que precisaríamos de 25 anos sem a ingressão de brancos nesse curso para que se conseguisse alcançar uma proporcionalidade.

Os números acima são dados de uma guerra desigual e covarde promovida pelo Estado brasileiro contra as populações afro-descendentes e negras, com o intuito de preservar a elite branca e brancóide deste país. É necessário corrigir a postura, entender que nós não ESTAMOS AQUI TRAVESTIDOS DE MONSTROS, com o único propósito de assombrar as elites e suas criancinhas indefesas, que nossos direitos são tão legítimos quanto o de qualquer etnia existente no Brasil.

A ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo.


Até a vitória e força sempre


Claudio Reis é fundador da PCE e atual
Ministro de Pesquisa Dados e Estatísticas da PCE